Blog Mario Enzio

Aprecio a leitura, não me canso de intercalar assuntos, para aprofundar-me, especializar-me, em algum tema que estudo. O que mais gosto de ler? O livro que está me falando ao coração naquele momento.

Coragem

6 de janeiro de 2016

A coragem como todos nós conhecemos é um ato de bravura, uma energia moral que nos desperta diante de situações aflitivas ou difíceis. Só que poucos sabem que ela se exprime de algumas maneiras, vamos comentar de duas delas: a coragem fria e a coragem quente.

A fria é aquela, como a palavra está dizendo, vem da postura de alguém que tenha sangue frio em uma determinada ação. No popular: é a pessoa de cabeça fria. Então, agora, fica fácil dizer que a outra é a quente. Aquela atitude de alguém com sangue quente. Isso é: a pessoa de cabeça quente. Podemos dizer que são a virtude fria e a virtude quente.

Mas, se quiséssemos avaliar e dar uma nota: qual seria a virtude mais aceitável? A mais útil? A que teria mais mérito? Precisaríamos ir adiante à nossa analise. Pensar em que situações a coragem se vê presente.

Em uma situação de grande perigo, em precisamos defender alguém que amamos, apesar do medo, podemos agir sem pensar nas consequências, sem muita responsabilidade. Depois acabamos dizendo que perdemos a cabeça com o resultado. Agir de cabeça quente pode não ser a melhor solução. É o que recomendam os especialistas em segurança, por exemplo, em casos de um infeliz assalto.

Ser ousado, ser destemido, ser um guerreiro pode ser uma postura para um campo de batalha, não para se conviver em harmonia numa sociedade que quer criar a cultura da paz.

Ser ou estar de cabeça fria, com a coragem sendo colocada na esfera da paciência, da serenidade é o mais indicado. Entretanto, essa é a mais difícil postura: ter coragem para modificar sem agredir, onde temos que dominar todos os nossos instintos.

Crédito foto: claudio moreira

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Minta para mim

12 de dezembro de 2014

A mentira convcive lado a lado com a verdade. Assim como amor e ódio. Aliados ironicamente na retórica pós-moderna. Descobrimos aquelas pequenas mentiras, as mentirinhas sem dano aparente, ou as grandes mentiras quase todo dia. E causam alguma comoção ou desprezo. Vem como revelações bombásticas ou alegóricas, possíveis pela liberdade de imprensa ou meios fofoqueiros. Li que há pessoas que não foram feitas para dizer a verdade. É quando a mentira é mais vantajosa.

Não sei se gosto quando a ciência ajuda a explicar atitudes comportamentais como sendo um desvio permanente. Foi o que disse o neurocientista Ming Hsu, que descobriu em suas pesquisas, na Universidade da Califórnia em Berkeley. Argumenta com a analise que precisamos nos esforçar para permanecer honestos quando há chances de nos beneficiarmos à custa dos outros.

O que estava em questão era o envio de uma informação mentirosa para o ganho pessoal. E isso se dá numa relação causal entre uma região cerebral, de quem tem danos no córtex pré-frontal dorsolateral (região associada ao controle dos impulsos) e o comportamento honesto, argumenta o cientista Hsu. Acrescenta que “os pacientes com lesão nessa região do cérebro estavam mais dispostos a enganar do que o restante para proveito próprio”.

Se considerarmos que uma parcela da população pode ter essa distorção impregnada no cérebro, isso pode ser uma explicação para a falha de caráter nesse grupo. Seria uma avaria que implica na mentira como uma atividade normal da característica de personalidade. Honestidade, então, seria para mortais não providos dessa lesão.

Crédito foto: hyperscience.com
 

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O que se entende quando falamos

12 de setembro de 2014

Aos humanos foi dada a arte de falar. E divagar é algo que sai da nossa boca toda vez que começamos a nos comunicar. Isso não é só minha observação. Goethe, escritor e pensador alemão, há mais de duzentos anos já dizia que “assim que fala, a pessoa começa a divagar”.

Acrescento a capacidade que temos em argumentar, considerada uma modalidade mental articulatória ainda mais fantástica. Em nossa astúcia em persuadir, quando estamos sendo atacados em discussões. Nesse ponto, a linguagem tem uma parte bem definida de não se adequar ao ponto de vista lógico.

O momento político, o exercício da democracia, inspira essa avaliação de maneira mais apropriada. Nota-se que conseguimos encontrar palavras para explicar o inexplicável ou até o impossível. Pode não haver lógica, nem coerência, mas as palavras estão aí para quem quiser acreditar.

Em seu livro, “A Arte de ter Razão”, Arthur Schopenhauer apresenta, de modo irônico, trinta e oito estratégias para serem usadas para vencer uma discussão sem ter a razão. Nas palavras do autor, “afinal de contas é em ganhar que você está interessado, não na verdade”. O que importa é o resultado, a pessoa que for mais hábil conseguirá manter a sua posição. Nada mais útil a quem não quer largar de privilégios e vantagens.

Destaco uma dessas estratégias, que sempre me vêm à mente, quando vejo políticos em debates: a de que o que o seu oponente propor, em algo em particular, simplesmente ignore. Compreenda em um sentido diverso. Ou seja, se o oponente falar em educação pode ser entendido como saúde mental. Em seguida, ataque e diga que uma coisa está ligada à outra. E, por isso, precisa ser refutada, desconsiderada. Desqualifique a declaração. Coloque-se em oposição, dizendo tudo diferente do que foi dito. Você não estará com a razão. Não importa, mas estar certo não é o suficiente nesse debate.

E, vivemos, assim, felizes para sempre!

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