Blog Mario Enzio

Aprecio a leitura, não me canso de intercalar assuntos, para aprofundar-me, especializar-me, em algum tema que estudo. O que mais gosto de ler? O livro que está me falando ao coração naquele momento.

Distraídos

30 de setembro de 2015

distraido mirando las moscas

Somos seres que nos preocupamos com uma série de assuntos durante o dia. Se a comida do restaurante estava boa, se o empregado chegou no horário, se o pedido foi entregue, como exemplos. Estamos sempre zelando por alguma coisa.

Não importa o quê, há sempre algo que exige nossa atenção. Vai atravessar a rua? Terá que olhar para os lados. Sim, porque pode ser que um desavisado ainda esteja trafegando pela contramão. Está parado no ponto, se olhar para ver alguma mensagem no celular, pode ser que perca seu ônibus. Há sempre um ponto de convergência que pode alterar seus planos, rotinas ou o bolso. Enfim, sua vida. Quer continuar analisando, vamos lá.

Deixou a luz acessa, vai pagar mais na conta. Não avisou que ia chegar tarde, a porta ficou trancada e teve que se arranjar para dormir. Podemos fazer uma série de coisas no chamado ‘piloto automático’, porque estamos em puro estado de distração mental.

Grande parte das pessoas nas grandes cidades, – hoje eu já diria que até nas pequenas cidades, estão vivendo sob um estado de tensão e estresse operacional. Estamos pré-ocupados com coisas que não têm muito a ver e com outras menos ainda. E, por vezes, com essa enxurrada de situações acabamos nos esquecendo do que é essencial, do que é necessário e do que é, relativamente, importante. Ou seja, se distraem com a própria distração.

A razão da distração é o excesso. Ser distraído têm níveis que podem preocupar e exigem até tratamento, mas pode ser um leve sintoma de desinteresse ou alienação. O pior é quando nos sentimos manipulados e não sabemos ou não conseguimos diferenciar o que nos desorienta ou nos confunde. Parece que queremos ficar distraídos. Seriam felizes os que podem se desligar do mundo voluntariamente sem se preocupar com o que ocorre à sua volta?

Crédito foto: emaze.com

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Elemento Surpresa

16 de outubro de 2014

O que será que consegue tirasurpresar alguém do sério, irritando-o, enraivecendo-o, ou, provocando euforia, deixando-o em estado de pura alegria? Um fato que venha de surpresa, que não estejamos esperando. Quer seja positivo ou negativo.

São essas histórias de tirar o fôlego, como o ingresso em um competitivo exame de seleção ou a descoberta de uma traição. Olhar seu nome na lista dos aprovados ou um flagrante adultério. A virada de um jogo com direito a goleada. Para que time você torceu? A notícia da perda de um emprego, uma gravidez indesejada ou a tão tentada, programada, esperada e, enfim, ocorrida. Um quase acidente automobilístico, salvo por aqueles milésimos de segundos, quando houve falta de atenção. Ou, uma virada no dia de votação, contrariando toda uma pesquisa eleitoral.

Posso discorrer algumas cenas que me lembro em que o elemento pasmo se compôs e manifestou-se em sua totalidade. Creio que você terá as suas próprias lembranças. Não vou chateá-lo com situações que podem ter sido desagradáveis. Vamos ao lado das mais agradáveis. Será que conseguimos recordar? Essa é a questão: de qual nos lembramos? Das boas ou das ruins. O que lhe deixou marcado, vão dizer alguns colegas analistas? Aquela que ainda não está bem resolvida? A que deixa marcas na memória? Aí a situação muda de figura.

O elemento surpresa passa a ter um componente vivo dentro de cada um. Viverá por dias, meses ou anos, dependendo da sua força. Irá resistir a sessões de terapia e, em alguns casos, irá para o túmulo com o sujeito. A expressão “o trauma define o paciente” se confunde com a vida cotidiana. Uau! Que perseguição interior, que causa mal resolvida. Por essa razão analítica que quando o impacto de uma emoção forte, da surpresa, é inoculado em algum lugar em que já reside alguma decepção ou deformação fica mais difícil limpar a área mental atingida. Em outras palavras, curar o trauma daquela frustração pode levar tempo. Isso vale para qualquer atitude da vida em que ‘empurramos decisões para baixo do tapete mental’ com angústias e discórdias.

E olhando o momento atual com esses ódios aparentes, esse racismo político, essas carências de um diálogo inteligente, penso na quantidade de traumas que irão se perpetuar. Ao acabar essa competição as pessoas voltarão a conviver com as mesmas pessoas que aí estão.

Que a surpresa seja apenas acidental, que possa haver uma boa dose de bom senso e compreender que é bom se irritar só de forma passageira.

Crédito foto: brazucanomundo 

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Quando a Resposta Não Vem

18 de abril de 2013
ponto_de_interrogacao1Tem momentos em que não esperamos por respostas, e elas chegam até nós. Por dedução ou indução. Em outros instantes ou situações específicas, elas não vêm. Ficam em algum lugar da mente esperando que se processe. Como se algo que não foi resolvido ou solucionado esteja esperando pelo ordenamento das ideias. Se pudéssemos ouvir o que as pessoas pensam, ao olhar para elas caminhando, seria como se estivessem falando em voz alta. Ouviríamos uma barulheira mental. Que bom que isso não ocorre. Bom seria se tivéssemos um botão, em alguma parte do corpo. Seria automático, que ao formularmos uma pergunta, ao apertá-lo a resposta seria incorporada no nosso  processo de raciocínio. Como acontece com os mecanismos de busca na internet. Pensou, ficou em dúvida, apertou o botão. A resposta veio do nada. Mas, isso ainda não acontece. Precisamos nos concentrar, meditar, articular, escolher entre as múltiplas opções, e sei lá mais o quê. Dizem que em um futuro, teremos essa opção com o desenvolvimento do poder da mente. Até que essa evolução humana não se aperfeiçoe fico sem respostas para muitos absurdos.

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