Imagine estar ligado na novela por duzentos capítulos esperando o momento decisivo em que o malvado será ou não vingado. Ou que a vilã será desmascarada ou o mocinho irá ou não ficar com a bela e sensual garota. Aí antes que se possa ver a cena decisiva alguém resolve contar o final da trama.

Essa atitude sem noção, nos dias da modernidade, tem o nome de “spoiler”. Do inglês “spoil”: estragar, arruinar, destruir. Que ainda pode ser uma peça usada nos carros para gerar mais estabilidade. Nosso “spoiler” é alguém que conta o que um preguiçoso quer saber.

Esse “spoiler” poderia receber um castigo, se contasse o final que não queremos saber. Pensemos numa maneira de penalizar: quando conversávamos em voz alta em sala de aula, éramos punidos a escrever uma centena de vezes: “não devo conversar em sala de aula”. Sendo assim, a pessoa que contasse o que não queremos saber seria, como um serviço à comunidade, obrigada a escutar uma história – do repertório infantil: Chapeuzinho Vermelho ou uma que já soubesse o final por um número de vezes. A história lhe seria contada cada dia na casa de algum idoso para que essa experiência surtisse o efeito de saber respeitar e ficar em silêncio.

Entretanto, nesses tempos de múltiplas mídias e diversidade de interesses, vamos defender o direito da livre expressão. Entendemos que uma coisa é abrir a boca na hora da novela, do filme, e outra é escrever no jornal ou site. Assim se você está lendo o segredo do final da novela em um veículo de comunicação é porque quer saber o que irá ocorrer. Uma coisa é ler, outra é ficar falando alto na sala de visitas, repleta de amigas da tia, que vieram assistir ao último capítulo. Esse é o fim!

Crédito foto: naniesworld