distraido mirando las moscas

Somos seres que nos preocupamos com uma série de assuntos durante o dia. Se a comida do restaurante estava boa, se o empregado chegou no horário, se o pedido foi entregue, como exemplos. Estamos sempre zelando por alguma coisa.

Não importa o quê, há sempre algo que exige nossa atenção. Vai atravessar a rua? Terá que olhar para os lados. Sim, porque pode ser que um desavisado ainda esteja trafegando pela contramão. Está parado no ponto, se olhar para ver alguma mensagem no celular, pode ser que perca seu ônibus. Há sempre um ponto de convergência que pode alterar seus planos, rotinas ou o bolso. Enfim, sua vida. Quer continuar analisando, vamos lá.

Deixou a luz acessa, vai pagar mais na conta. Não avisou que ia chegar tarde, a porta ficou trancada e teve que se arranjar para dormir. Podemos fazer uma série de coisas no chamado ‘piloto automático’, porque estamos em puro estado de distração mental.

Grande parte das pessoas nas grandes cidades, – hoje eu já diria que até nas pequenas cidades, estão vivendo sob um estado de tensão e estresse operacional. Estamos pré-ocupados com coisas que não têm muito a ver e com outras menos ainda. E, por vezes, com essa enxurrada de situações acabamos nos esquecendo do que é essencial, do que é necessário e do que é, relativamente, importante. Ou seja, se distraem com a própria distração.

A razão da distração é o excesso. Ser distraído têm níveis que podem preocupar e exigem até tratamento, mas pode ser um leve sintoma de desinteresse ou alienação. O pior é quando nos sentimos manipulados e não sabemos ou não conseguimos diferenciar o que nos desorienta ou nos confunde. Parece que queremos ficar distraídos. Seriam felizes os que podem se desligar do mundo voluntariamente sem se preocupar com o que ocorre à sua volta?

Crédito foto: emaze.com