Blog Mario Enzio

Aprecio a leitura, não me canso de intercalar assuntos, para aprofundar-me, especializar-me, em algum tema que estudo. O que mais gosto de ler? O livro que está me falando ao coração naquele momento.

Pesquisar e educar

25 de janeiro de 2015

Ainda espanta saber que mais de 500 mil estudantes não conseguem se expressar escrevendo. Tirar nota zero numa prova de redação. Para começar analisando e criticando, a culpa não está na esfera dos professores que fazem o que podem com os recursos que são oferecidos. Muitos até são criativos com o sistema. Fazem mais do que lhes dão em troca. Em minha opinião, deveriam ganhar muito mais do que ganham.

O que me refiro é que a Educação precisaria ser repensada como um todo. Com foco nas matérias básicas, em intensos programas de leitura e pesquisa. Investir pesado no fundamental e básico. Assim, quando o aluno chegasse para fazer a faculdade já teria uma boa base cultural. Percebem que o que escrevo, não é o modelo que temos aí. É outro, muito mais sofisticado, completo e severo. Seria muita disciplina e trabalho. Seria um programa de educação cultural. Atenção: sem ideologias, sem manobras políticas, sem cores partidárias. É para se estudar matemática, álgebra, português, redação, línguas, artes, geografia, história, sociologia, filosofia, ciências (biologia, física, química) e o que mais for pedagogicamente recomendado. Não estou aqui a definir currículos. E mais: ter laboratórios, computadores e experimentos mostrando as influências das novas tecnologias.

Alguém ainda dirá que essas matérias já são lecionadas. Mas se são lecionadas porque nossos estudantes não são mais qualificados e competitivos? É porque o modelo de aprendizado e de cobrança está falido. Uma escola pública de qualidade tem outro formato.

Parece utopia, não é? Pois o modelo que temos hoje nem chega perto. O modelo que temos nivela para baixo, deixa passar o que não sabe para não ficar desestimulado. E, às vezes, o que não lê ou escreve. Isso não é educar. É manter seres bárbaros, dependentes e reféns de seus recursos. Penso a quem interessa essa massa de pessoas incultas? Pelo menos, a ninguém que está no mercado de trabalho, que tem que quase reeducar um empregado. Veja como as empresas reclamam. Mas, essa é outra das consequências desse desastre educacional.

Para se mover na direção certa, completar ou andar conjuntamente a um programa de implantação de uma nova política pública de educação, seria bom saber o que os alunos querem. O que esperam de sua vida profissional? Por que esse distanciamento entre a escola e o aluno? Será que a vida pós-moderna, pós-guerra fria, que vivemos sob a ameaça de terroristas – pelo menos, lá fora –, está mais fácil do que antes? É melhor viver na casa dos pais até os quarenta anos e depois tentar algum bico no mercado de trabalho? Essa é a chamada vida de canguru que está sendo mais aceita. Afinal, para que sair de casa? Pode-se ter todo o conforto que se necessita.

Um bom começo seria avaliar esses quadros, opinião e limites: o que os jovens querem se impor e que os pais ou responsáveis pretendem?

Crédito foto: cntt.org.br

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Moralizar a educação

28 de agosto de 2014

Lousa

O assunto é repetitivo, portanto precisa ser tratado com muita atenção e cuidado. Escrevo em modificar o modelo de escola e de ensino público no país. Nada do que você não tenha lido. Só que se não repetirmos, não iremos cuidar do futuro. Não iremos mudar nunca. O ponto central é: que tipo de adulto ter nos próximos anos? Se não investirmos nas crianças teremos adultos ainda mais desligados, desinteressados, desinformados ou despreparados? Daí, uma solução conhecida, é preciso melhorar as escolas públicas. O assunto é, seriamente, simples: começar a valorizar o professor, melhorar instalações e condições estruturais das escolas, incentivar o estudo com novas metodologias, promover a leitura com a instalação de bibliotecas e algo mais. Esse algo mais é uma mudança de postura das famílias e dos profissionais quanto ao paradigma de quem deve educar em que nível. As famílias já têm uma participação importante, ao integrar os conselhos municipais, em cobrar do poder público, que os recursos cheguem às escolas e sejam bem aplicados. E mais, como digo: é preciso mudar o paradigma de como educar. Isso é: mudar essa ideia de que a escola pública é obrigada a formar uma criança. Esse é um conceito muito amplo. Vamos esclarecer: quem educa é a família e quem ensina é a escola. O modelo que está aí precisa ser modificado ou corrigido com novos padrões de convivência entre a escola e a família. Não se podem mais aceitar que os assuntos de manutenção da casa e sobrevivência sejam mais importantes do que educar os filhos. Esse é um discurso frágil. Não se pensa assim na hora de tê-los, não é? Portanto, é preciso se estabelecer novos padrões, outro paradigma, na formação do indivíduo como um todo. A escola só tem uma parte nesse papel. Os pais, avós, tios, tias ou responsáveis, já que a sociedade se fragmentou em vários formatos, é que devem assumir o outro papel, que é de educar. Como sabemos, além de investimentos que são necessários para valorizar a escola pública, é preciso se alterar esse padrão de abordagem e comportamento, para que tenhamos adultos mais bem formados, comprometidos e responsáveis. Se nada for feito, esse modelo falido que aí está continuará sendo repetido. Assim, o modelo precisa ser revisto, que o respeito ao professor e à escola só virá se a educação for moralizada. Portanto: por uma campanha de moralização da educação!

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