Blog Mario Enzio

Aprecio a leitura, não me canso de intercalar assuntos, para aprofundar-me, especializar-me, em algum tema que estudo. O que mais gosto de ler? O livro que está me falando ao coração naquele momento.

Minta para mim

12 de dezembro de 2014

A mentira convcive lado a lado com a verdade. Assim como amor e ódio. Aliados ironicamente na retórica pós-moderna. Descobrimos aquelas pequenas mentiras, as mentirinhas sem dano aparente, ou as grandes mentiras quase todo dia. E causam alguma comoção ou desprezo. Vem como revelações bombásticas ou alegóricas, possíveis pela liberdade de imprensa ou meios fofoqueiros. Li que há pessoas que não foram feitas para dizer a verdade. É quando a mentira é mais vantajosa.

Não sei se gosto quando a ciência ajuda a explicar atitudes comportamentais como sendo um desvio permanente. Foi o que disse o neurocientista Ming Hsu, que descobriu em suas pesquisas, na Universidade da Califórnia em Berkeley. Argumenta com a analise que precisamos nos esforçar para permanecer honestos quando há chances de nos beneficiarmos à custa dos outros.

O que estava em questão era o envio de uma informação mentirosa para o ganho pessoal. E isso se dá numa relação causal entre uma região cerebral, de quem tem danos no córtex pré-frontal dorsolateral (região associada ao controle dos impulsos) e o comportamento honesto, argumenta o cientista Hsu. Acrescenta que “os pacientes com lesão nessa região do cérebro estavam mais dispostos a enganar do que o restante para proveito próprio”.

Se considerarmos que uma parcela da população pode ter essa distorção impregnada no cérebro, isso pode ser uma explicação para a falha de caráter nesse grupo. Seria uma avaria que implica na mentira como uma atividade normal da característica de personalidade. Honestidade, então, seria para mortais não providos dessa lesão.

Crédito foto: hyperscience.com
 

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Botecolândia

6 de dezembro de 2014

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Há momentos em que gostamos de jogar conversa fora. De não querer ser analítico, ponderado ou acadêmico. Só queremos conversar com amigos sobre as novidades. Sem qualquer preocupação. E, quando ficamos sem inspiração, vamos buscar um tema nas notícias ou redes sociais. Um bom e estimulante começo para motivar um reencontro entre amigos.

Ficamos monitorando as notícias, tentando ler algo que possa render uma polêmica ou um bom debate sem nexo. Só que o caldo de coisas inclassificáveis é indescritível. Lemos matérias que nos deixam um tanto atordoados com suas iniquidades, maldades, perversidades, tolices, asneiras, equívocos ou futilidades. Como é entediante ter que separar o que interessa até para um papo sem fronteiras.

Será que está difícil se ter e manter um bom papo de boteco? Será que há teorias conspiratórias contra a botecolândia? Não. Nada disso. Pelo contrário, estão em expansão. O boteco ainda é o melhor lugar para se falar mal de alguém. Temos muito para desopilar numa mesa de bar. E, algumas pessoas, bem conectadas, sabem de onde buscar notícias. O que é temeroso é que o patrulhamento ideológico, o politicamente correto, cria uma aura de censura subliminar. Pode-se ter o que falar, mas o que falar sem ser mal interpretado? Melhor é ficar com o inusitado. Quer entender?

Vamos deixar de lado os temas políticos, que vão gerar inimizades. Quem sabe falar de moda ou das nádegas e pernas da modelo que está internada com problemas de saúde por injetar substâncias nocivas em excesso? Não sei se seria agradável entre uma cerveja e outra.

Se é para ser franco, gostei mais daquela de um grande empresário paulista que comprou o posto de gasolina vizinho à sua casa. Irá fechá-lo às oito da noite e evitar barulho. Poderoso. Lembrou-me Frank Sinatra que foi barrado na porta de uma boate. Não deu outra, comprou a casa noturna e despediu o porteiro. Coisas que ocorrem nos botecos-baladas. Isso dá muita conversa.

No bar-boteco ficar lendo, não é o mais recomendado. O local não se mostra tão preparado para o senso crítico. Está mais para senso comum. Esqueça as notícias. Essas coisas não levam a lugar algum. Não repita o que falou ontem, apesar das manchetes serem reviradas a cada dia. Não entre nas mazelas humanas. Dará um clima de baixo astral. Ruim mesmo é estar no boteco, com essas conversas, e, ainda, constatar que o sanduíche pedido diminuiu de tamanho. Motivo para mudar o foco do papo: será que a inflação está de volta? Se é para o papo correr solto, nada como falar de coisas que ocorrem pelo mundo.

Considerando essa viagem, o que mais impressiona é que depois de dois anos e meio, a radiação de Fukushima já é detectada na Califórnia e no Chile. Sim, na América do Sul. Já chegou por aqui. Esse é o caminho natural dos ventos, apesar de que nos tempos de Descartes se tinham dúvidas de que a Terra era redonda, mas não nos de Galileo Galilei. Penso que exagerei no papo.

Crédito foto: catequista.com.br
 

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A arte de negar

13 de novembro de 2014

ser-uma-negacao-shutterstock

Eu nego. Não tenho a ver com isso. Essa é uma frase que saí fácil da boca de muita gente. E, no Direito, até que se prove o contrário, mesmo provando, ainda assim tem gente que irá negar. A negação é prerrogativa da defesa. A chamada negação geral. Negue tudo, depois vamos argumentar.

As provas podem ser contundentes, podem discorrer sobre os fatos, contar detalhes, mas o criminoso nega a participação. O ladrão diz que não entrou, o larápio diz que não ele. Está na moda dizer que não viu ou não ouviu. Ainda, que não disse o que foi dito ou que não sabia de nada.

Como resultado da perícia, da técnica, as prisões têm alguns desses seres obscuros. Aqueles que, apesar de tudo, se dizem injustiçados. Que continuam afirmando “não joguei a criança do prédio ou não matei meus pais” ou “a arma disparou sem querer” ou “não enterrei o corpo aí”. Alguns crimes conseguem, por clamor popular, despertar mais atenção do que outros. Esse é um fenômeno a ser considerado com cautela. Existe e pressiona as instituições. Se, nesses casos, influencia o andar do processo é outra situação.

Nada a se espantar, há diálogos elucidativos quanto à pratica da negativa geral. Como dizem os nobres colegas defensores: – mesmo que a evidência esteja ali, à sua frente, negue. Não sabemos que provas serão apresentadas. – Mas, e se foi um flagrante? – Não importa, negue.

 Já ouviram essa história do marido dizendo à esposa que era ilusão dela tê-lo visto com a amante, não? – Se a esposa pegou esse camarada na cama? – Simplesmente, negue. Vamos justificar que tudo não passou de um mal entendido. O que foi visto não era bem aquilo.

 Essa é uma boa pratica para tentar se safar de uma acusação. Há casos que dão certo. A negação e a encenação superam as provas no processo. O sujeito está aí, sem cumprir pena, mesmo com tudo que o incrimine. Mas, a encenação faz parte do contexto. Quanto a mim, nego que sei de algo, além disso.

Crédito foto: noticias universia

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Verdade ou mentira?

3 de setembro de 2014

Foto: Divulgação

A disseminação de conteúdo falso, contraditório, incoerente é algo absurdo nas redes sociais. Aliás, na internet, há um concentrado e bem dirigido, mundo de boatos. Pode ser um território de ninguém ou uma interessante mesa de bar. Cada um fala o que quer dentro do que considera o seu senso comum. Sem comentar no número de idiotas que postam mensagens sem qualquer noção do ridículo. Não dá para calcular. O que considero ruim ou péssimo é que muitas dessas mensagens ganham notório destaque. E, ainda, tem quem compartilhe essa informação, usando para fundamentar em seus argumentos. Fico atordoado com a quantidade de asneira que se ouve ou se lê.

Penso que se quiser gastar seu tempo com uma boa formação, procure saber quem postou a mensagem. Não desperdice seu tempo. Cuidado com textos compactos. Muitos desses aforismos fazem parte de um contexto maior. Outros até por serem reduzidos poderiam estar trazendo uma boa síntese, mas em geral são bobagens resumidas. Saiba como avaliar. Saber entender isso, só indo a cada matéria e mergulhando no que o assunto quer abordar. A sua origem, se é verdade ou mentira.

Muitas mensagens, fotos ou depoimentos nem sempre são dos personagens que os assinam. Alguns escritores, apresentadores de televisão e jornalistas já afirmaram categoricamente que não difundem ou divulgam suas ideias na net. Por outro lado, a opinião de algumas pessoas é distorcida por uma guerra de interesses políticos, econômicos ou mercadológicos.

Nessa trincheira, há uma patrulha de seres da contrainformação, um bando, que produz conteúdo para confundir, perturbar ou atrapalhar. O tema, o candidato, a pessoa, a ideia que não está de acordo com as suas é bombardeado com inverdades, informações alteradas ou distorcidas. Parece, mas não se trata de uma teoria conspiratória. Quem tiver um pouco de tempo e bom senso, vá atrás da mensagem e saiba primeiro: – quem a publicou? – é a opinião do entrevistado? – confere com o que a pessoa diria? Em resumo, fazer o que um jornalista faz: checar a fonte. Conferir se o conteúdo é verdadeiro, se há distorções. Isso pode ajudar – e muito – na vida real.

 

 

 

 

 

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