Blog Mario Enzio

Aprecio a leitura, não me canso de intercalar assuntos, para aprofundar-me, especializar-me, em algum tema que estudo. O que mais gosto de ler? O livro que está me falando ao coração naquele momento.

Estraga Prazeres

22 de setembro de 2015

Imagine estar ligado na novela por duzentos capítulos esperando o momento decisivo em que o malvado será ou não vingado. Ou que a vilã será desmascarada ou o mocinho irá ou não ficar com a bela e sensual garota. Aí antes que se possa ver a cena decisiva alguém resolve contar o final da trama.

Essa atitude sem noção, nos dias da modernidade, tem o nome de “spoiler”. Do inglês “spoil”: estragar, arruinar, destruir. Que ainda pode ser uma peça usada nos carros para gerar mais estabilidade. Nosso “spoiler” é alguém que conta o que um preguiçoso quer saber.

Esse “spoiler” poderia receber um castigo, se contasse o final que não queremos saber. Pensemos numa maneira de penalizar: quando conversávamos em voz alta em sala de aula, éramos punidos a escrever uma centena de vezes: “não devo conversar em sala de aula”. Sendo assim, a pessoa que contasse o que não queremos saber seria, como um serviço à comunidade, obrigada a escutar uma história – do repertório infantil: Chapeuzinho Vermelho ou uma que já soubesse o final por um número de vezes. A história lhe seria contada cada dia na casa de algum idoso para que essa experiência surtisse o efeito de saber respeitar e ficar em silêncio.

Entretanto, nesses tempos de múltiplas mídias e diversidade de interesses, vamos defender o direito da livre expressão. Entendemos que uma coisa é abrir a boca na hora da novela, do filme, e outra é escrever no jornal ou site. Assim se você está lendo o segredo do final da novela em um veículo de comunicação é porque quer saber o que irá ocorrer. Uma coisa é ler, outra é ficar falando alto na sala de visitas, repleta de amigas da tia, que vieram assistir ao último capítulo. Esse é o fim!

Crédito foto: naniesworld

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Pesquisar e educar

25 de janeiro de 2015

Ainda espanta saber que mais de 500 mil estudantes não conseguem se expressar escrevendo. Tirar nota zero numa prova de redação. Para começar analisando e criticando, a culpa não está na esfera dos professores que fazem o que podem com os recursos que são oferecidos. Muitos até são criativos com o sistema. Fazem mais do que lhes dão em troca. Em minha opinião, deveriam ganhar muito mais do que ganham.

O que me refiro é que a Educação precisaria ser repensada como um todo. Com foco nas matérias básicas, em intensos programas de leitura e pesquisa. Investir pesado no fundamental e básico. Assim, quando o aluno chegasse para fazer a faculdade já teria uma boa base cultural. Percebem que o que escrevo, não é o modelo que temos aí. É outro, muito mais sofisticado, completo e severo. Seria muita disciplina e trabalho. Seria um programa de educação cultural. Atenção: sem ideologias, sem manobras políticas, sem cores partidárias. É para se estudar matemática, álgebra, português, redação, línguas, artes, geografia, história, sociologia, filosofia, ciências (biologia, física, química) e o que mais for pedagogicamente recomendado. Não estou aqui a definir currículos. E mais: ter laboratórios, computadores e experimentos mostrando as influências das novas tecnologias.

Alguém ainda dirá que essas matérias já são lecionadas. Mas se são lecionadas porque nossos estudantes não são mais qualificados e competitivos? É porque o modelo de aprendizado e de cobrança está falido. Uma escola pública de qualidade tem outro formato.

Parece utopia, não é? Pois o modelo que temos hoje nem chega perto. O modelo que temos nivela para baixo, deixa passar o que não sabe para não ficar desestimulado. E, às vezes, o que não lê ou escreve. Isso não é educar. É manter seres bárbaros, dependentes e reféns de seus recursos. Penso a quem interessa essa massa de pessoas incultas? Pelo menos, a ninguém que está no mercado de trabalho, que tem que quase reeducar um empregado. Veja como as empresas reclamam. Mas, essa é outra das consequências desse desastre educacional.

Para se mover na direção certa, completar ou andar conjuntamente a um programa de implantação de uma nova política pública de educação, seria bom saber o que os alunos querem. O que esperam de sua vida profissional? Por que esse distanciamento entre a escola e o aluno? Será que a vida pós-moderna, pós-guerra fria, que vivemos sob a ameaça de terroristas – pelo menos, lá fora –, está mais fácil do que antes? É melhor viver na casa dos pais até os quarenta anos e depois tentar algum bico no mercado de trabalho? Essa é a chamada vida de canguru que está sendo mais aceita. Afinal, para que sair de casa? Pode-se ter todo o conforto que se necessita.

Um bom começo seria avaliar esses quadros, opinião e limites: o que os jovens querem se impor e que os pais ou responsáveis pretendem?

Crédito foto: cntt.org.br

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Fragmentos de Ideias

9 de outubro de 2014

folhas_ao_ventoO que esperar das opiniões que são jogadas nas redes sociais? Já que são opiniões fragmentadas. Não vou comentar o que é falso, já fiz isso em outra postagem.

As ideias são trituradas, amassadas, aparteadas, pulverizadas, por vezes, sem qualquer nexo. Podem ser isentas de verdade, de fundamento ou de lógica. Temos que ser bastante observadores para entender, o que alguns querem dizer com suas mensagens, pois muitas vêm truncadas. É preciso ser daquele grupo, daquela turma ou tribo, para entender o que estão querendo comunicar.

Entendi, quando a rede mundial de computadores se instalava, que esse salto de qualidade na informação seria uma vantagem às pesquisas e ao conhecimento. Entendo, também, que passados alguns anos, há o fenômeno da pulverização de ideias e da pluralidade no exercício da democracia de opiniões. Haja paciência virtual para compreender os clubinhos que se formam com as raivosas facções ideológicas.

De um lado, os que acham certo uma opinião, uma coisa ou atitude e, do outro, os que acham que tudo está errado. A turma do sim e outra do não. Bem, como numa luta no ringue. No canto esquerdo, o grupo daqueles que se identifica com você, que será seguido, será considerado amigo e, no canto direito, os que são do contra. Curtir ou não curtir? Eis a questão existencial do século!

Pensando mais, não é somente dessa maneira simplista. Já como está fragmentada a informação na internet, diria que não existe apenas uma dupla polarização. Mas, existem múltiplas construções de pensamentos dispersos, soltos, geniosos ou irascíveis.

Temo, com ressalvas, pelo uso sem critérios, a integridade e sucesso de quem busca referência, em que dados deverão ser cada vez mais seletivos ou apurados. Não gosto desse dito popular, mas me serve: haverá que se procurar como agulha no palheiro. Não há uma única solução, nem poderia pela própria natureza da internet, das redes, na produção da informação, que é individual, exponencial e espontânea. São como palavras ao vento. Mas, para quem busca coerência e bom senso, deve-se levar em conta a fonte, a cronologia, o contexto, o universo do tema que se pesquisa e haja tempo e tolerância para garimpar uma ideia coesa.

Crédito foto: labirintosdaalma

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Moralizar a educação

28 de agosto de 2014

Lousa

O assunto é repetitivo, portanto precisa ser tratado com muita atenção e cuidado. Escrevo em modificar o modelo de escola e de ensino público no país. Nada do que você não tenha lido. Só que se não repetirmos, não iremos cuidar do futuro. Não iremos mudar nunca. O ponto central é: que tipo de adulto ter nos próximos anos? Se não investirmos nas crianças teremos adultos ainda mais desligados, desinteressados, desinformados ou despreparados? Daí, uma solução conhecida, é preciso melhorar as escolas públicas. O assunto é, seriamente, simples: começar a valorizar o professor, melhorar instalações e condições estruturais das escolas, incentivar o estudo com novas metodologias, promover a leitura com a instalação de bibliotecas e algo mais. Esse algo mais é uma mudança de postura das famílias e dos profissionais quanto ao paradigma de quem deve educar em que nível. As famílias já têm uma participação importante, ao integrar os conselhos municipais, em cobrar do poder público, que os recursos cheguem às escolas e sejam bem aplicados. E mais, como digo: é preciso mudar o paradigma de como educar. Isso é: mudar essa ideia de que a escola pública é obrigada a formar uma criança. Esse é um conceito muito amplo. Vamos esclarecer: quem educa é a família e quem ensina é a escola. O modelo que está aí precisa ser modificado ou corrigido com novos padrões de convivência entre a escola e a família. Não se podem mais aceitar que os assuntos de manutenção da casa e sobrevivência sejam mais importantes do que educar os filhos. Esse é um discurso frágil. Não se pensa assim na hora de tê-los, não é? Portanto, é preciso se estabelecer novos padrões, outro paradigma, na formação do indivíduo como um todo. A escola só tem uma parte nesse papel. Os pais, avós, tios, tias ou responsáveis, já que a sociedade se fragmentou em vários formatos, é que devem assumir o outro papel, que é de educar. Como sabemos, além de investimentos que são necessários para valorizar a escola pública, é preciso se alterar esse padrão de abordagem e comportamento, para que tenhamos adultos mais bem formados, comprometidos e responsáveis. Se nada for feito, esse modelo falido que aí está continuará sendo repetido. Assim, o modelo precisa ser revisto, que o respeito ao professor e à escola só virá se a educação for moralizada. Portanto: por uma campanha de moralização da educação!

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