Ainda espanta saber que mais de 500 mil estudantes não conseguem se expressar escrevendo. Tirar nota zero numa prova de redação. Para começar analisando e criticando, a culpa não está na esfera dos professores que fazem o que podem com os recursos que são oferecidos. Muitos até são criativos com o sistema. Fazem mais do que lhes dão em troca. Em minha opinião, deveriam ganhar muito mais do que ganham.

O que me refiro é que a Educação precisaria ser repensada como um todo. Com foco nas matérias básicas, em intensos programas de leitura e pesquisa. Investir pesado no fundamental e básico. Assim, quando o aluno chegasse para fazer a faculdade já teria uma boa base cultural. Percebem que o que escrevo, não é o modelo que temos aí. É outro, muito mais sofisticado, completo e severo. Seria muita disciplina e trabalho. Seria um programa de educação cultural. Atenção: sem ideologias, sem manobras políticas, sem cores partidárias. É para se estudar matemática, álgebra, português, redação, línguas, artes, geografia, história, sociologia, filosofia, ciências (biologia, física, química) e o que mais for pedagogicamente recomendado. Não estou aqui a definir currículos. E mais: ter laboratórios, computadores e experimentos mostrando as influências das novas tecnologias.

Alguém ainda dirá que essas matérias já são lecionadas. Mas se são lecionadas porque nossos estudantes não são mais qualificados e competitivos? É porque o modelo de aprendizado e de cobrança está falido. Uma escola pública de qualidade tem outro formato.

Parece utopia, não é? Pois o modelo que temos hoje nem chega perto. O modelo que temos nivela para baixo, deixa passar o que não sabe para não ficar desestimulado. E, às vezes, o que não lê ou escreve. Isso não é educar. É manter seres bárbaros, dependentes e reféns de seus recursos. Penso a quem interessa essa massa de pessoas incultas? Pelo menos, a ninguém que está no mercado de trabalho, que tem que quase reeducar um empregado. Veja como as empresas reclamam. Mas, essa é outra das consequências desse desastre educacional.

Para se mover na direção certa, completar ou andar conjuntamente a um programa de implantação de uma nova política pública de educação, seria bom saber o que os alunos querem. O que esperam de sua vida profissional? Por que esse distanciamento entre a escola e o aluno? Será que a vida pós-moderna, pós-guerra fria, que vivemos sob a ameaça de terroristas – pelo menos, lá fora –, está mais fácil do que antes? É melhor viver na casa dos pais até os quarenta anos e depois tentar algum bico no mercado de trabalho? Essa é a chamada vida de canguru que está sendo mais aceita. Afinal, para que sair de casa? Pode-se ter todo o conforto que se necessita.

Um bom começo seria avaliar esses quadros, opinião e limites: o que os jovens querem se impor e que os pais ou responsáveis pretendem?

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