Blog Mario Enzio

Aprecio a leitura, não me canso de intercalar assuntos, para aprofundar-me, especializar-me, em algum tema que estudo. O que mais gosto de ler? O livro que está me falando ao coração naquele momento.

O que me importa

23 de outubro de 2014

Quando se tem foco, se tem a vida no presente. Isso importa? Para alguns sim, outros não. Para uns, nem conseguem explicar o sentido dessa frase. Para que isso me serve? A quem quer que seja que pense assim, isso não importa.

Uma discussão sobre um jogo de futebol entre dois times rivais ou sobre partidos políticos, a escolha de um candidato, as regras constitucionais, a privatização de ativos do Estado, se a orientação é para um Estado forte ou fraco, se a carga tributária deveria ser modificada. Isso lhe importa? As convicções temporárias ou perenes nos movem. Esse é o ponto de reflexão e/ou mutação: aquilo que nos motiva ou não, para deixar como está ou reverter ao que nos importa.

Dizem que as paixões são efêmeras, são doenças de uma alma sofrida que não tem paz com o resultado de suas decisões. Podem ser até violentas, e há quem diga que estão em constante ebulição, preparadas para se manifestar quando menos se espera. A paixão por alguém, por um amor proibido, por um time, por um filho, por um partido, por um objeto raro, por uma pintura, por uma ideia, por algo imaginário. Vão do simples ao complicado. Explicar uma paixão é tentar revelar o inconsciente. Isso importa? Desde que não sofra nem faça sofrer.

É explicável quando esse entusiasmo se acalma por ter conseguido o que queria ou se aquieta com os resultados que chegaram por perto. Aí se consegue saber a verdadeira razão do que importa. Há luz e informação no que foi dito, pensado, falado ou como e porque se agiu daquela maneira. Mas, isso é constante, há um ciclo que se renova se não for satisfeito. Isso importa?

Ah! Essas emoções passageiras! As boas parecem que nem existiram, mesmo tendo sido ótimas. E as emoções ruins, se não as tratarmos, elas ficam dentro de nós. Do que pensamos, falamos e agimos, temos que saber que enquanto estivermos interagindo iremos agradar e, também, magoar, machucar, agredir, atacar. Isso importa?

Não deixam de ser umas opiniões, parcas ou excessivas convicções, que mudam. Quem era azul virou vermelho, quem era vermelho virou azul. Isso importa? Ao acordar no dia seguinte, o que sobrou?

Crédito foto: asomadetodosafetos.blogspot

Compartilhe:

Elemento Surpresa

16 de outubro de 2014

O que será que consegue tirasurpresar alguém do sério, irritando-o, enraivecendo-o, ou, provocando euforia, deixando-o em estado de pura alegria? Um fato que venha de surpresa, que não estejamos esperando. Quer seja positivo ou negativo.

São essas histórias de tirar o fôlego, como o ingresso em um competitivo exame de seleção ou a descoberta de uma traição. Olhar seu nome na lista dos aprovados ou um flagrante adultério. A virada de um jogo com direito a goleada. Para que time você torceu? A notícia da perda de um emprego, uma gravidez indesejada ou a tão tentada, programada, esperada e, enfim, ocorrida. Um quase acidente automobilístico, salvo por aqueles milésimos de segundos, quando houve falta de atenção. Ou, uma virada no dia de votação, contrariando toda uma pesquisa eleitoral.

Posso discorrer algumas cenas que me lembro em que o elemento pasmo se compôs e manifestou-se em sua totalidade. Creio que você terá as suas próprias lembranças. Não vou chateá-lo com situações que podem ter sido desagradáveis. Vamos ao lado das mais agradáveis. Será que conseguimos recordar? Essa é a questão: de qual nos lembramos? Das boas ou das ruins. O que lhe deixou marcado, vão dizer alguns colegas analistas? Aquela que ainda não está bem resolvida? A que deixa marcas na memória? Aí a situação muda de figura.

O elemento surpresa passa a ter um componente vivo dentro de cada um. Viverá por dias, meses ou anos, dependendo da sua força. Irá resistir a sessões de terapia e, em alguns casos, irá para o túmulo com o sujeito. A expressão “o trauma define o paciente” se confunde com a vida cotidiana. Uau! Que perseguição interior, que causa mal resolvida. Por essa razão analítica que quando o impacto de uma emoção forte, da surpresa, é inoculado em algum lugar em que já reside alguma decepção ou deformação fica mais difícil limpar a área mental atingida. Em outras palavras, curar o trauma daquela frustração pode levar tempo. Isso vale para qualquer atitude da vida em que ‘empurramos decisões para baixo do tapete mental’ com angústias e discórdias.

E olhando o momento atual com esses ódios aparentes, esse racismo político, essas carências de um diálogo inteligente, penso na quantidade de traumas que irão se perpetuar. Ao acabar essa competição as pessoas voltarão a conviver com as mesmas pessoas que aí estão.

Que a surpresa seja apenas acidental, que possa haver uma boa dose de bom senso e compreender que é bom se irritar só de forma passageira.

Crédito foto: brazucanomundo 

Compartilhe:

Fragmentos de Ideias

9 de outubro de 2014

folhas_ao_ventoO que esperar das opiniões que são jogadas nas redes sociais? Já que são opiniões fragmentadas. Não vou comentar o que é falso, já fiz isso em outra postagem.

As ideias são trituradas, amassadas, aparteadas, pulverizadas, por vezes, sem qualquer nexo. Podem ser isentas de verdade, de fundamento ou de lógica. Temos que ser bastante observadores para entender, o que alguns querem dizer com suas mensagens, pois muitas vêm truncadas. É preciso ser daquele grupo, daquela turma ou tribo, para entender o que estão querendo comunicar.

Entendi, quando a rede mundial de computadores se instalava, que esse salto de qualidade na informação seria uma vantagem às pesquisas e ao conhecimento. Entendo, também, que passados alguns anos, há o fenômeno da pulverização de ideias e da pluralidade no exercício da democracia de opiniões. Haja paciência virtual para compreender os clubinhos que se formam com as raivosas facções ideológicas.

De um lado, os que acham certo uma opinião, uma coisa ou atitude e, do outro, os que acham que tudo está errado. A turma do sim e outra do não. Bem, como numa luta no ringue. No canto esquerdo, o grupo daqueles que se identifica com você, que será seguido, será considerado amigo e, no canto direito, os que são do contra. Curtir ou não curtir? Eis a questão existencial do século!

Pensando mais, não é somente dessa maneira simplista. Já como está fragmentada a informação na internet, diria que não existe apenas uma dupla polarização. Mas, existem múltiplas construções de pensamentos dispersos, soltos, geniosos ou irascíveis.

Temo, com ressalvas, pelo uso sem critérios, a integridade e sucesso de quem busca referência, em que dados deverão ser cada vez mais seletivos ou apurados. Não gosto desse dito popular, mas me serve: haverá que se procurar como agulha no palheiro. Não há uma única solução, nem poderia pela própria natureza da internet, das redes, na produção da informação, que é individual, exponencial e espontânea. São como palavras ao vento. Mas, para quem busca coerência e bom senso, deve-se levar em conta a fonte, a cronologia, o contexto, o universo do tema que se pesquisa e haja tempo e tolerância para garimpar uma ideia coesa.

Crédito foto: labirintosdaalma

Compartilhe:

Moralizar a educação

28 de agosto de 2014

Lousa

O assunto é repetitivo, portanto precisa ser tratado com muita atenção e cuidado. Escrevo em modificar o modelo de escola e de ensino público no país. Nada do que você não tenha lido. Só que se não repetirmos, não iremos cuidar do futuro. Não iremos mudar nunca. O ponto central é: que tipo de adulto ter nos próximos anos? Se não investirmos nas crianças teremos adultos ainda mais desligados, desinteressados, desinformados ou despreparados? Daí, uma solução conhecida, é preciso melhorar as escolas públicas. O assunto é, seriamente, simples: começar a valorizar o professor, melhorar instalações e condições estruturais das escolas, incentivar o estudo com novas metodologias, promover a leitura com a instalação de bibliotecas e algo mais. Esse algo mais é uma mudança de postura das famílias e dos profissionais quanto ao paradigma de quem deve educar em que nível. As famílias já têm uma participação importante, ao integrar os conselhos municipais, em cobrar do poder público, que os recursos cheguem às escolas e sejam bem aplicados. E mais, como digo: é preciso mudar o paradigma de como educar. Isso é: mudar essa ideia de que a escola pública é obrigada a formar uma criança. Esse é um conceito muito amplo. Vamos esclarecer: quem educa é a família e quem ensina é a escola. O modelo que está aí precisa ser modificado ou corrigido com novos padrões de convivência entre a escola e a família. Não se podem mais aceitar que os assuntos de manutenção da casa e sobrevivência sejam mais importantes do que educar os filhos. Esse é um discurso frágil. Não se pensa assim na hora de tê-los, não é? Portanto, é preciso se estabelecer novos padrões, outro paradigma, na formação do indivíduo como um todo. A escola só tem uma parte nesse papel. Os pais, avós, tios, tias ou responsáveis, já que a sociedade se fragmentou em vários formatos, é que devem assumir o outro papel, que é de educar. Como sabemos, além de investimentos que são necessários para valorizar a escola pública, é preciso se alterar esse padrão de abordagem e comportamento, para que tenhamos adultos mais bem formados, comprometidos e responsáveis. Se nada for feito, esse modelo falido que aí está continuará sendo repetido. Assim, o modelo precisa ser revisto, que o respeito ao professor e à escola só virá se a educação for moralizada. Portanto: por uma campanha de moralização da educação!

Compartilhe:

Rolezinho

17 de dezembro de 2013

Crédito foto: amadeupaes.blogspot.com

A galera resolve marcar encontro de maneira diferente: pelas redes sociais. Até aí tudo parece normal. Anormal é agregar seis mil pessoas para dar um role no shopping. Isso está mais para invasão programada do que para reunião dos anjinhos de Maria. Nada contra as agremiações, mas o que não se suporta são o vandalismo e a bestialidade que estão por trás das propostas dessa gente. Invadir espaços públicos com o intuito de amedrontar. Sabemos pela teoria dos grupos que quando o individuo caminha sozinho, mesmo fazendo parte de um bando, ele fica acuado, não é compelido à disputa, não se sente feroz, nem potencialmente agressivo. Mas, em grupos, o comportamento se altera e se diferencia. Um grito de ordem pode ser um comando para a algazarra, para o confronto em nome do abuso sem motivo. O que era para ser inofensivo se torna inimigo. A matilha fortalece o espírito de domínio territorial, da revanche à preservação pela luta. Só que isso é na natureza hostil, na regra do salve-se quem puder. Não é isso que estamos presenciando. Ou será que é? Posso ver a cara dos lojistas surpresos com a baderna instituída. Os gritos de desordem e o insano passeio ao paraíso das compras. O que é significa esse sinal metafísico? A viagem da incompreensão. Ou de não poder consumir e querer mostrar que a presença vale tanto quanto o dinheiro de quem pode comprar. Momentos descompensados e sem uma única resposta plausível.

 

Crédito foto: amadeupaes.blogspot.com

Compartilhe:

Crédito da foto: http://bit.ly/pinguim001

As estatísticas que impressionam, esboçam o quanto produzimos de lixo e de como estamos deteriorando o meio ambiente, estão pululando há anos na mídia. Nem por isso conseguem sacudir a consciência de pessoas mais comuns. Nossa sorte são as crianças e os jovens que se preocupam um pouquinho mais. Até que se despertem para a competição na vida adulta, aí esquecem.

O que não deixo de fazer é a leitura das principais notícias da semana. Dessa vez, o que me chama atenção é um desses absurdos e incabíveis argumentos pouco científicos. A reportagem sugeria que os pinguins poderiam vir a se adaptar às condições climáticas impostas em sua região. Isso implicaria em adaptarem-se em poucos anos. Mas, como, se levaram alguns milênios para chegarem nesse estágio evolutivo? Não é simples assim. Uma espécie não consegue se adaptar. Isso já está comprovado: a velocidade das mudanças no clima são dez mil vezes mais rápidas do que um processo de evolução. Os estudos mostram que não há tempo bastante para eles se adaptarem.
É certo que espécies extinguem-se outras se renovam. Os pinguins, assim como outras espécies, estão ameaçados. Essa distinção entre espécies nos faz compreender o que nos espera. O que nos distingue como humanos? O que seria a superação do humano? O que esperamos melhorar? O que nos importa, afinal? Esse é um papo que faz pensar. Pois, cada vez que iniciava uma conversa, preocupado com a natureza, a rodinha de amigos e conhecidos se desfazia. É um papo chato, tudo mundo comenta. Essa é a conta do desperdício e da falta de consciência. Vamos ver quando faltar água, o verde e o ar puro.

Compartilhe:

Queixa Geral

24 de julho de 2013
imagesCAJGR3QN

Crédito da foto: http://bit.ly/170cWpQ e http://bit.ly/18Dmuy1

Dizer que as reclamações são legítimas, quem não diria. Afinal, reclamar é sempre legítimo. Difícil está em entender a dimensão do que se está protestando. Há diversas camadas de insatisfação escondidas por debaixo de um humano. A moral é cheia de interpretações das verdades subjetivas e estabelecidas. Não consigo me entender, de vez em quando. Nem sei do que reclamo, em oportunidades.  Se ficar me queixando posso ser um pessimista de plantão. Mas, questiono, quando se está reclamando, se está em manifestações públicas, e as circunstâncias externas não melhoram? O que fazer? Protestar mais ou calar? Esperar por mudanças? Como melhorar o que já foi reclamado? Um otimista diria: continue reclamando que um dia melhora. Um pessimista continuaria reclamando para, quem sabe, reformar o que não foi feito. De qualquer maneira, ficar atento ao que deveriam estar fazendo, ao que foi pedido e não compreendido. A existência de superação, de transposição ao que é humano, parece ser uma tarefa de facetas constantes.  Podemos fazer algum progresso, mas detesto quando isso se torna parte de uma tradição. Não que seja no sentido trágico, faz parte do drama da vida, mas não vejo outra saída.

Compartilhe:

Falar com o Vazio

10 de novembro de 2011
Vivemos em uma cidade com milhões de pessoaFalar_s-25C3-25B3_DSC_0000140s desconhecidas. Na verdade, para quem caminha por bairros distintos, somos capazes de não identificar inúmeros rostos novos todos os dias, de não se saber quem é do bem ou do mal. Nos noticiários, lemos de tudo um pouco, desde se uma mulher deve se oferecer no primeiro encontro, das mortes no trânsito até das organizações criminosas, com os grupos de interesses difusos, que podem estar tão bem infiltradas, que nos dão a certeza de que nem imaginamos quem pode estar ao nosso lado. De certa forma, com toda esta tecnologia, o mundo está conectado e desconectado. Pessoas se dizem próximas, mas estão distantes vivendo seus mundinhos cheios de ramificações superficiais. As redes são sociais na medida em que circulam nossas mensagens fofoqueiras e menos inteligentes, que por um lado podem aproximar ou afastar. Estas são algumas destas contradições sociais, em que as intimidades podem ser superadas sem dificuldade. Mas, por outro lado, é difícil que haja continuidade. A decepção é mais que uma constante. Sem raízes emocionais e sem uma pessoa com quem se possa continuar conversando. Que caminhos percorrer para ser feliz nos dias de hoje?

Compartilhe:


Página 2 de 212