Blog Mario Enzio

Aprecio a leitura, não me canso de intercalar assuntos, para aprofundar-me, especializar-me, em algum tema que estudo. O que mais gosto de ler? O livro que está me falando ao coração naquele momento.

Falar Sério

30 de outubro de 2015

Será que o que falamos consegue passar o que queremos comunicar? Creio que precisamos nos entender primeiro em relação a essa frase. Valeria à pena começar delimitando nosso texto e perguntar: o que é lógica? É quando o raciocínio é coerente, acertado, quando há bom senso no que expomos em nossa fala ou na escrita.

É a função critica do pensamento, quando o discurso, a maneira de falar de alguém, é racional. O que resulta numa informação normal das coisas. Somos seres pensantes e falantes. Nem sei o quanto de pensantes, mas somos muito falantes. Enfim, nos comunicamos de alguma maneira. Pessoas sempre estão pronunciando, articulando, um conjunto de palavras.

Ao chegarmos perto de uma roda de conhecidos, se estivermos por dentro da conversa, podemos até conseguir compreender senão teremos que pedir para que uma pessoa nos explique do que estão falando.  Mas, em muitas vezes, há indivíduos que entram numa conversa sem saber do assunto. E aí é que começa o problema: falam, explicam, e nem sabem do que estão raciocinando.

O que podemos pensar? Que essas pessoas são mal informadas, deslocadas do grupo, que estão fora do assunto ou que são limitadas na matéria. Aí é que está o ponto de avaliação: temos que compreender se o erro é nosso ou se foi na maneira de como o outro falou. Se ele falou e não disse nada.

Assim, uma pessoa pode falar o que quiser, pode até ter lógica, que seja coerente, mas que não terá nada a ver com o que estamos conversando naquele momento. Por exemplo: se o grupo está falando de futebol, não venha contar como a massa do pão desandou.

Conversar educadamente depende do assunto e do contexto. Não componha frases apenas para emitir algum tipo de som sem qualquer significado.

Crédito da foto: pt.wix.com

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Estraga Prazeres

22 de setembro de 2015

Imagine estar ligado na novela por duzentos capítulos esperando o momento decisivo em que o malvado será ou não vingado. Ou que a vilã será desmascarada ou o mocinho irá ou não ficar com a bela e sensual garota. Aí antes que se possa ver a cena decisiva alguém resolve contar o final da trama.

Essa atitude sem noção, nos dias da modernidade, tem o nome de “spoiler”. Do inglês “spoil”: estragar, arruinar, destruir. Que ainda pode ser uma peça usada nos carros para gerar mais estabilidade. Nosso “spoiler” é alguém que conta o que um preguiçoso quer saber.

Esse “spoiler” poderia receber um castigo, se contasse o final que não queremos saber. Pensemos numa maneira de penalizar: quando conversávamos em voz alta em sala de aula, éramos punidos a escrever uma centena de vezes: “não devo conversar em sala de aula”. Sendo assim, a pessoa que contasse o que não queremos saber seria, como um serviço à comunidade, obrigada a escutar uma história – do repertório infantil: Chapeuzinho Vermelho ou uma que já soubesse o final por um número de vezes. A história lhe seria contada cada dia na casa de algum idoso para que essa experiência surtisse o efeito de saber respeitar e ficar em silêncio.

Entretanto, nesses tempos de múltiplas mídias e diversidade de interesses, vamos defender o direito da livre expressão. Entendemos que uma coisa é abrir a boca na hora da novela, do filme, e outra é escrever no jornal ou site. Assim se você está lendo o segredo do final da novela em um veículo de comunicação é porque quer saber o que irá ocorrer. Uma coisa é ler, outra é ficar falando alto na sala de visitas, repleta de amigas da tia, que vieram assistir ao último capítulo. Esse é o fim!

Crédito foto: naniesworld

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Postura de Ex

14 de setembro de 2015

ex1Um ‘ex’ é uma certa condição social de que amanhã não sou mais nada daquilo. Há o que se pode revelar ou o que ainda não se revelou. Há uma traição que irá criar uma nova situação e há sempre um estado que será modificado e que pode ser um drama para o resto de uma vida.

Caso clássico é de ex-marido quando não paga pensão, que fica em estado de perpetuação. Do outro lado, se tem pressa na ação de cobrança e não se tem disposição para se olhar na cara. Situação oposta da ex-esposa que nas redes sociais mostra os novos amores e depois posta desaforos do mais novo ex-namorado. Desdém é pouco: – cara ruim de cama, além de mau caráter. Quero que minha inimiga se apaixone por ele. E completa: – era disso que eu gostava?

Podemos afirmar, com certo grau de erro, que na vida de qualquer pessoa há situações vividas com ex-patrões, suas histórias de amor e ódio, ou com ex-amigos que podem ter ciclos de rupturas e reatamentos.

Na vida de algum ‘ex’ a internet facilita ou dificulta quem quer esquecer. Pode ser uma aliada na cobrança de pensão, no rompimento de relações ou no aumento da dor de cotovelo. Encontram-se fotos, lugares visitados, sempre em clima das novas alegrias. Difícil ver algum ‘ex’ que poste uma mensagem negativa. Parece que fazem essas veiculações para causar algum prazer intenso de falsa satisfação. Ou não! Podem estar mesmo felizes, gozando sua liberdade ou prazer infinito da alma, por terem conseguido se libertar de algo que os aprisionava.

Ser ‘ex’, requer, entretanto, algumas considerações: ou você é ou não é. Você foi um bom marido, uma boa esposa, um bom patrão ou um bom amigo. Agora não é mais. Só que algumas figuras de ‘ex’, não conseguem se esquecer de sua condição: mal de ‘ex’ é se achar inesquecível.

Crédito foto: thesunonline

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A arte de negar

13 de novembro de 2014

ser-uma-negacao-shutterstock

Eu nego. Não tenho a ver com isso. Essa é uma frase que saí fácil da boca de muita gente. E, no Direito, até que se prove o contrário, mesmo provando, ainda assim tem gente que irá negar. A negação é prerrogativa da defesa. A chamada negação geral. Negue tudo, depois vamos argumentar.

As provas podem ser contundentes, podem discorrer sobre os fatos, contar detalhes, mas o criminoso nega a participação. O ladrão diz que não entrou, o larápio diz que não ele. Está na moda dizer que não viu ou não ouviu. Ainda, que não disse o que foi dito ou que não sabia de nada.

Como resultado da perícia, da técnica, as prisões têm alguns desses seres obscuros. Aqueles que, apesar de tudo, se dizem injustiçados. Que continuam afirmando “não joguei a criança do prédio ou não matei meus pais” ou “a arma disparou sem querer” ou “não enterrei o corpo aí”. Alguns crimes conseguem, por clamor popular, despertar mais atenção do que outros. Esse é um fenômeno a ser considerado com cautela. Existe e pressiona as instituições. Se, nesses casos, influencia o andar do processo é outra situação.

Nada a se espantar, há diálogos elucidativos quanto à pratica da negativa geral. Como dizem os nobres colegas defensores: – mesmo que a evidência esteja ali, à sua frente, negue. Não sabemos que provas serão apresentadas. – Mas, e se foi um flagrante? – Não importa, negue.

 Já ouviram essa história do marido dizendo à esposa que era ilusão dela tê-lo visto com a amante, não? – Se a esposa pegou esse camarada na cama? – Simplesmente, negue. Vamos justificar que tudo não passou de um mal entendido. O que foi visto não era bem aquilo.

 Essa é uma boa pratica para tentar se safar de uma acusação. Há casos que dão certo. A negação e a encenação superam as provas no processo. O sujeito está aí, sem cumprir pena, mesmo com tudo que o incrimine. Mas, a encenação faz parte do contexto. Quanto a mim, nego que sei de algo, além disso.

Crédito foto: noticias universia

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Apenas um texto

6 de novembro de 2014

Genial é o texto que lhe dá uma chacoalhada quando você está precisando. É aquele texto, que você pensa: como é que o cara escreveu isso? Como conseguiu encontrar as palavras certas para me dizer isso nessa hora. Você fica extasiado, em clima de euforia, parece que absorve as palavras. Não quer esquecê-las, para poder repeti-las quando for a hora. Quer recortar o texto e guardar em um lugar especial. Ou afixá-lo para ler de vez em quando.

Aquele texto, realmente, lhe tocou fundo. Tão fundo que você irá se lembrar dele todas as vezes que associar a sua emoção daquele momento com o que estava lá escrito. Pode ser como um divisor de águas. Que é aquele momento em que uma decisão mudará toda a nossa vida, que irá fazer toda diferença no futuro.

O texto pode ser nítido e claro, coerente e conciso. Ou pode ser repleto de metáforas e histórias que irão mexer nos seus profundos sentimentos. O texto lhe transmitirá o que precisava para agir ou não agir. Abriu-lhe a mente para algo que não enxergava ou não podia aceitar. A delicadeza das palavras, a sua sutileza, a precisão foram notáveis. Os parágrafos escritos lhe deram a munição que estava faltando para transformar seu interior. Há quem diga que menos, que basta uma frase, um conjunto de palavras sucintas para modificar, motivar, desejar uma nova situação no seu enredo pessoal.

Falo de palavras escritas, não de textos falados, nem cantados. Podem me tocar, quando as ouço, mas o elogio está na forma e no tempo que busco e dedico à leitura. Por isso, vivo deixando minha mente me levar a esse estado de surpresa. Só fico chateado quando penso que nem sempre posso dizer a quem escreveu: – oi, gostei do que escreveu! Ajudou-me e muito! Salvo quando cito em meus trabalhos acadêmicos. Aí faço da citação minha referência, gratidão e homenagem.

Não sei a opinião da maioria dos que escrevem, na verdade nem parei para analisar, mas sei que é gratificante você saber que produziu algum efeito mental em alguém com o seu texto. Que o motivou, gerou uma dúvida, corrigiu um equívoco, socorreu de um sufoco de ansiedade, destravou alguma repressão, acrescentou ou subtraiu argumentos.

Penso que todo texto é genial. Muitos estão lá, esperando a serem lidos. Estão lá, guardados entre páginas. Podem ter sido divulgados, podem estar isolados, entre tantos outros. Aguardando alguém que venha lê-los. Se alguém ler e se tocar, ele terá sido válido ou não. O momento é mais um determinante. Um escritor não sabe quando irá ocorrer e nem quanto irá valer. A única certeza que tem é que acabou de escrever apenas mais um texto.

Crédito foto: blogaragem2011

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Fragmentos de Ideias

9 de outubro de 2014

folhas_ao_ventoO que esperar das opiniões que são jogadas nas redes sociais? Já que são opiniões fragmentadas. Não vou comentar o que é falso, já fiz isso em outra postagem.

As ideias são trituradas, amassadas, aparteadas, pulverizadas, por vezes, sem qualquer nexo. Podem ser isentas de verdade, de fundamento ou de lógica. Temos que ser bastante observadores para entender, o que alguns querem dizer com suas mensagens, pois muitas vêm truncadas. É preciso ser daquele grupo, daquela turma ou tribo, para entender o que estão querendo comunicar.

Entendi, quando a rede mundial de computadores se instalava, que esse salto de qualidade na informação seria uma vantagem às pesquisas e ao conhecimento. Entendo, também, que passados alguns anos, há o fenômeno da pulverização de ideias e da pluralidade no exercício da democracia de opiniões. Haja paciência virtual para compreender os clubinhos que se formam com as raivosas facções ideológicas.

De um lado, os que acham certo uma opinião, uma coisa ou atitude e, do outro, os que acham que tudo está errado. A turma do sim e outra do não. Bem, como numa luta no ringue. No canto esquerdo, o grupo daqueles que se identifica com você, que será seguido, será considerado amigo e, no canto direito, os que são do contra. Curtir ou não curtir? Eis a questão existencial do século!

Pensando mais, não é somente dessa maneira simplista. Já como está fragmentada a informação na internet, diria que não existe apenas uma dupla polarização. Mas, existem múltiplas construções de pensamentos dispersos, soltos, geniosos ou irascíveis.

Temo, com ressalvas, pelo uso sem critérios, a integridade e sucesso de quem busca referência, em que dados deverão ser cada vez mais seletivos ou apurados. Não gosto desse dito popular, mas me serve: haverá que se procurar como agulha no palheiro. Não há uma única solução, nem poderia pela própria natureza da internet, das redes, na produção da informação, que é individual, exponencial e espontânea. São como palavras ao vento. Mas, para quem busca coerência e bom senso, deve-se levar em conta a fonte, a cronologia, o contexto, o universo do tema que se pesquisa e haja tempo e tolerância para garimpar uma ideia coesa.

Crédito foto: labirintosdaalma

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O que se entende quando falamos

12 de setembro de 2014

Aos humanos foi dada a arte de falar. E divagar é algo que sai da nossa boca toda vez que começamos a nos comunicar. Isso não é só minha observação. Goethe, escritor e pensador alemão, há mais de duzentos anos já dizia que “assim que fala, a pessoa começa a divagar”.

Acrescento a capacidade que temos em argumentar, considerada uma modalidade mental articulatória ainda mais fantástica. Em nossa astúcia em persuadir, quando estamos sendo atacados em discussões. Nesse ponto, a linguagem tem uma parte bem definida de não se adequar ao ponto de vista lógico.

O momento político, o exercício da democracia, inspira essa avaliação de maneira mais apropriada. Nota-se que conseguimos encontrar palavras para explicar o inexplicável ou até o impossível. Pode não haver lógica, nem coerência, mas as palavras estão aí para quem quiser acreditar.

Em seu livro, “A Arte de ter Razão”, Arthur Schopenhauer apresenta, de modo irônico, trinta e oito estratégias para serem usadas para vencer uma discussão sem ter a razão. Nas palavras do autor, “afinal de contas é em ganhar que você está interessado, não na verdade”. O que importa é o resultado, a pessoa que for mais hábil conseguirá manter a sua posição. Nada mais útil a quem não quer largar de privilégios e vantagens.

Destaco uma dessas estratégias, que sempre me vêm à mente, quando vejo políticos em debates: a de que o que o seu oponente propor, em algo em particular, simplesmente ignore. Compreenda em um sentido diverso. Ou seja, se o oponente falar em educação pode ser entendido como saúde mental. Em seguida, ataque e diga que uma coisa está ligada à outra. E, por isso, precisa ser refutada, desconsiderada. Desqualifique a declaração. Coloque-se em oposição, dizendo tudo diferente do que foi dito. Você não estará com a razão. Não importa, mas estar certo não é o suficiente nesse debate.

E, vivemos, assim, felizes para sempre!

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