Blog Mario Enzio

Aprecio a leitura, não me canso de intercalar assuntos, para aprofundar-me, especializar-me, em algum tema que estudo. O que mais gosto de ler? O livro que está me falando ao coração naquele momento.

Lentidão e Leniência

19 de agosto de 2013
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Crédito da foto: http://bit.ly/capuz001

Recentes pesquisas de opinião mostram que as soluções que a população quer estão dissociadas das atitudes que os governantes de maneira geral têm em mente. Ou seja, nós queremos o que eles não fazem. A nossa vontade não bate com a deles. O nosso querer agir é mais rápido do que os políticos pretendem que seja aplicado ou posto em prática. Tanto é que a pauta de votações demonstra isso, estão fazendo outras coisas que não aquelas que estamos indignados e que demonstrávamos nas ruas. Entendo, por quanto mais distante fico dos problemas, que a pratica política é lenta, interesseira e perigosa quando não se quer fazer ou mesmo quando se quer fazer.

Há uma desesperança generalizada que paira no horizonte. Notam-se as disputas políticas como uma guerra de tabuleiro encenado. Onde se vê que um espera pelo erro do outro para tentar virar o jogo. De como acusar a outra legenda que o contrato foi firmado por seus partidários. Esse é o jogo: eu acuso, tu acusas. Ou seja, a preocupação afinal, não é resolver o problema, é manter-se mais tempo no poder. Custe o que custar. Assim, esquerda, centro e direita ficam num saco só, por aqui. Negociando as condições favoráveis para seus interesses. Essa é a sensação, a impressão, a análise de quem está por fora, mas que enxerga como é quando se chega perto de um político que não está preocupado com a realidade e com o que estamos protestando.
 

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Crédito da foto: http://bit.ly/pinguim001

As estatísticas que impressionam, esboçam o quanto produzimos de lixo e de como estamos deteriorando o meio ambiente, estão pululando há anos na mídia. Nem por isso conseguem sacudir a consciência de pessoas mais comuns. Nossa sorte são as crianças e os jovens que se preocupam um pouquinho mais. Até que se despertem para a competição na vida adulta, aí esquecem.

O que não deixo de fazer é a leitura das principais notícias da semana. Dessa vez, o que me chama atenção é um desses absurdos e incabíveis argumentos pouco científicos. A reportagem sugeria que os pinguins poderiam vir a se adaptar às condições climáticas impostas em sua região. Isso implicaria em adaptarem-se em poucos anos. Mas, como, se levaram alguns milênios para chegarem nesse estágio evolutivo? Não é simples assim. Uma espécie não consegue se adaptar. Isso já está comprovado: a velocidade das mudanças no clima são dez mil vezes mais rápidas do que um processo de evolução. Os estudos mostram que não há tempo bastante para eles se adaptarem.
É certo que espécies extinguem-se outras se renovam. Os pinguins, assim como outras espécies, estão ameaçados. Essa distinção entre espécies nos faz compreender o que nos espera. O que nos distingue como humanos? O que seria a superação do humano? O que esperamos melhorar? O que nos importa, afinal? Esse é um papo que faz pensar. Pois, cada vez que iniciava uma conversa, preocupado com a natureza, a rodinha de amigos e conhecidos se desfazia. É um papo chato, tudo mundo comenta. Essa é a conta do desperdício e da falta de consciência. Vamos ver quando faltar água, o verde e o ar puro.

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Queixa Geral

24 de julho de 2013
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Crédito da foto: http://bit.ly/170cWpQ e http://bit.ly/18Dmuy1

Dizer que as reclamações são legítimas, quem não diria. Afinal, reclamar é sempre legítimo. Difícil está em entender a dimensão do que se está protestando. Há diversas camadas de insatisfação escondidas por debaixo de um humano. A moral é cheia de interpretações das verdades subjetivas e estabelecidas. Não consigo me entender, de vez em quando. Nem sei do que reclamo, em oportunidades.  Se ficar me queixando posso ser um pessimista de plantão. Mas, questiono, quando se está reclamando, se está em manifestações públicas, e as circunstâncias externas não melhoram? O que fazer? Protestar mais ou calar? Esperar por mudanças? Como melhorar o que já foi reclamado? Um otimista diria: continue reclamando que um dia melhora. Um pessimista continuaria reclamando para, quem sabe, reformar o que não foi feito. De qualquer maneira, ficar atento ao que deveriam estar fazendo, ao que foi pedido e não compreendido. A existência de superação, de transposição ao que é humano, parece ser uma tarefa de facetas constantes.  Podemos fazer algum progresso, mas detesto quando isso se torna parte de uma tradição. Não que seja no sentido trágico, faz parte do drama da vida, mas não vejo outra saída.

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Quando a Resposta Não Vem

18 de abril de 2013
ponto_de_interrogacao1Tem momentos em que não esperamos por respostas, e elas chegam até nós. Por dedução ou indução. Em outros instantes ou situações específicas, elas não vêm. Ficam em algum lugar da mente esperando que se processe. Como se algo que não foi resolvido ou solucionado esteja esperando pelo ordenamento das ideias. Se pudéssemos ouvir o que as pessoas pensam, ao olhar para elas caminhando, seria como se estivessem falando em voz alta. Ouviríamos uma barulheira mental. Que bom que isso não ocorre. Bom seria se tivéssemos um botão, em alguma parte do corpo. Seria automático, que ao formularmos uma pergunta, ao apertá-lo a resposta seria incorporada no nosso  processo de raciocínio. Como acontece com os mecanismos de busca na internet. Pensou, ficou em dúvida, apertou o botão. A resposta veio do nada. Mas, isso ainda não acontece. Precisamos nos concentrar, meditar, articular, escolher entre as múltiplas opções, e sei lá mais o quê. Dizem que em um futuro, teremos essa opção com o desenvolvimento do poder da mente. Até que essa evolução humana não se aperfeiçoe fico sem respostas para muitos absurdos.

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Falar com o Vazio

10 de novembro de 2011
Vivemos em uma cidade com milhões de pessoaFalar_s-25C3-25B3_DSC_0000140s desconhecidas. Na verdade, para quem caminha por bairros distintos, somos capazes de não identificar inúmeros rostos novos todos os dias, de não se saber quem é do bem ou do mal. Nos noticiários, lemos de tudo um pouco, desde se uma mulher deve se oferecer no primeiro encontro, das mortes no trânsito até das organizações criminosas, com os grupos de interesses difusos, que podem estar tão bem infiltradas, que nos dão a certeza de que nem imaginamos quem pode estar ao nosso lado. De certa forma, com toda esta tecnologia, o mundo está conectado e desconectado. Pessoas se dizem próximas, mas estão distantes vivendo seus mundinhos cheios de ramificações superficiais. As redes são sociais na medida em que circulam nossas mensagens fofoqueiras e menos inteligentes, que por um lado podem aproximar ou afastar. Estas são algumas destas contradições sociais, em que as intimidades podem ser superadas sem dificuldade. Mas, por outro lado, é difícil que haja continuidade. A decepção é mais que uma constante. Sem raízes emocionais e sem uma pessoa com quem se possa continuar conversando. Que caminhos percorrer para ser feliz nos dias de hoje?

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Carro de Fim de Semana

3 de novembro de 2011
Encontrar pessoas extravagantes disponíveis não é comum em grandes centros, a não ser em ambientes exclusivos em que possam ser alvo de flashes, com entrevistas programadas ou para serem reconhecidos por outros da mesma turma. Na maioria das vezes, gostam de estar protegidas contra o assédio de curiosos ou separadas das multidões com truculentos seguranças que lhes garantam a tranqüilidade para ir e vir. Ainda mais quando esta pessoa é proprietária de um carro fora de série. Daqueles que são apreciados por qualquer ser humano, até quem não conheça destas máquinas. Nem se imagina quem esteja pilotando um destes carrões pelas ruas esburacadas. Isto deve fazer parte do árduo e extenso arsenal deste mundo pós-ideológico em que o negócio para ser e manter uma celebridade precisa de apoio e sustentação da mídia. Mas, tem gente especial, nesta classificação, ou seria uma estratégia para não ser reconhecida ou medo de ser assaltada nos dias da semana? Assim, nos fins de semana, o carrão é que serve para se exibir. E de segunda à sexta, o Fusca, da mesma cor, é o carro para a locomoção. Será que descobrimos quem é o famoso felizardo em questão?

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Vai Um Táxi Aí

26 de outubro de 2011

TAxi_DSC_0000208O transporte público nas grandes cidades é digno de surpresas. Numa destas noites de sábado dirigindo-me a um shopping, em que a melhor solução foi tomar um táxi, ao chegar na porta do local, puxei uma nota de R$ 50,00 para pagar a corrida. O motorista logo exclamou: – ih! Vou ficar sem troco. Mas, buscou na sua carteira as opções financeiras. Em uma atitude rápida, disse: – faça um depósito em minha conta. E passou a escrever atrás de um de seus cartões o número da agência e conta. Entregou-me, agradeceu e, ainda, se desculpou por não ter troco. Vale comentar que dei sinal a este carro numa rua de grande movimento. Não conhecia o motorista, nem ele a mim. Dialogamos, como de costume, algumas palavras, sobre a cidade, o trânsito e o movimento daquela noite. Nada que pudesse justificar ou dar a certeza de meu caráter. Ele considerou que era a melhor opção, já que estava iniciando seu trabalho naquela hora. Está é a cidade de São Paulo: que nem sempre conhecemos com seus seres ainda humanos. Que fazem a gente acreditar que temos condições de ser felizes por aqui. O depósito foi feito na segunda.

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Objeto ao Diálogo

19 de outubro de 2011
Rino_DSC_0000173Desta vez, está aí na cidade a temporada dos rinocerontes. É uma ação que reúne artistas e alunos, a renda é destinada a projetos sociais e educacionais. Já foram as vacas. Talvez isto tenha a ver com este fato. O objeto artístico marca de forma incisiva a paisagem da cidade. Para checar, persegui alguns deles pelas ruas, para ver como se compunham no ambiente. Encontrei mais de trinta, por onde passei. Mas, na frente de um deles, um fato me chamou atenção: um destes sujeitos matutos, que viveram boa parte no mato, pois falava arrastado, com sotaque carregado, conversava fluentemente, olhando para o conceito de arte rinoceronte à sua frente. Contava sua história, de que estava chegando aos sessenta anos, que queria comemorar, que queria melhorar de vida, que estava preocupado que não tinha educação suficiente, que se cansou de trabalhar na roça. Por lá, dizia conversava todo dia com “Alucinha”. Sua vaquinha de estimação. Até o dia, que para melhorar a renda da família, já que a vaca não dava mais leite, teve que sacrificá-la. Ficou desolado, estarrecido com o ato de despedida, largou tudo e veio tentar a sorte grande na megalópole. Sorte está que está difícil de ocorrer. Mas, estava ele, ali, vendo o rino arte cinza, lembrando “Alucinha”. Ah! Como a gente conversava, passava horas proseando! Dizia expressando certa dor no coração. Como é feliz quem consegue se identificar com um objeto que lhe desperta ao diálogo. Não importa quão esquizofrênico possa parecer. A cidade grande pode fazer isto acontecer!

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Todos os Tamanhos

12 de outubro de 2011
A vida é repleta de adaptações ou situações surpreendentes. Ou seja, se a vida não é adaptada a nós, precisamos nos adaptar a ela, aceitar as diversidades é um excelente e positivo começo. Este é um dos segredos embutidos na felicidade. Conhece o filme, o livro, as palavras por lá contidas, não? Diz que a força está em saber vencer os obstáculos, nem que estejam distantes de nós. O que nem sempre é fácil, não é? Para alguns, até dá uma preguiça lutar pelo que se quer. Veja este exemplo: o banco para os privilegiados está tão distante na plataforma na estação do metrô, que até que o necessitado consiga chegar lá, já se passaram, no mínimo, dois trens. Dia destes enquanto a pessoa caminhava lentamente, roçando suas roliças pernas, quase se arrastando, quatro meninas estavam sentadas no banco. Sim, quatro magrelas. Riam e se entretinham com o inusitado, sem perceber o que é ter outra medida de referência. Eram magrinhas, ainda. E, a pessoa vinha se movendo, passo ao passo, quase não chegava. O trem chegou, as meninas se levantaram, e, saíram correndo, tiveram acesso bem antes que as portas se fechassem. A pessoa que caminhava, com todo seu tamanho, nem teve tempo de chegar ao trem, o fôlego parecia lhe faltar, mas estava quase chegando ao banco. Desta vez ao seu dispor, até que o próximo trem chegasse, e outro esforço fosse empreendido. Quem não convive com este problema acredita apenas na sua normalidade. Mas, para ser, mesmo, feliz é preciso compreender tudo o que nos cerca com respeito.

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Segredos às Sete Chaves

5 de outubro de 2011
Sete_Chaves_DSC_0000166Nesta semana o decidido deputado estadual Roque Barbiere (PTB) resolveu apresentar a Assembléia Legislativa de S. Paulo como um camelódromo e diz ter comunicado ao governo do Estado sobre um esquema entre seus colegas que negociam emendas no Orçamento entre prefeitos e empreiteiras. Bradou que dentro daquela casa cada um tem um preço. O Governador saiu com indignada afirmação de que é dever público e político contar quem é quem nestes esquemas. Mas, será que segredos de décadas nos serão, afinal, revelados? O que se passa do outro lado da porta? Quem viu? Será que vai contar? Quem conspira contra quem, quem despacha com os graúdos das construtoras? Só quem está dentro sabe dos segredos. O certo é que estamos cansados de ficar quietos. O que é preciso é jogar luz nos buracos negros. Se você se sentir ameaçado, utilize-se da criatividade midiática. Vá contar o que sabe nos canais de denúncias anônimos que já se abrem por aí. Há jornais que criaram links para receber este tipo de informação que protege a fonte. Vamos ser mais diretos e ir ao encontro de interesses da população: a transparência com os gastos públicos. Chega de ficar tentando enxergar os segredos espiando pelos buracos. Vamos ao “leaks” disponíveis! Quem sabe sejamos cidadãos mais felizes.

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