Blog Mario Enzio

Aprecio a leitura, não me canso de intercalar assuntos, para aprofundar-me, especializar-me, em algum tema que estudo. O que mais gosto de ler? O livro que está me falando ao coração naquele momento.

Pesquisar e educar

25 de janeiro de 2015

Ainda espanta saber que mais de 500 mil estudantes não conseguem se expressar escrevendo. Tirar nota zero numa prova de redação. Para começar analisando e criticando, a culpa não está na esfera dos professores que fazem o que podem com os recursos que são oferecidos. Muitos até são criativos com o sistema. Fazem mais do que lhes dão em troca. Em minha opinião, deveriam ganhar muito mais do que ganham.

O que me refiro é que a Educação precisaria ser repensada como um todo. Com foco nas matérias básicas, em intensos programas de leitura e pesquisa. Investir pesado no fundamental e básico. Assim, quando o aluno chegasse para fazer a faculdade já teria uma boa base cultural. Percebem que o que escrevo, não é o modelo que temos aí. É outro, muito mais sofisticado, completo e severo. Seria muita disciplina e trabalho. Seria um programa de educação cultural. Atenção: sem ideologias, sem manobras políticas, sem cores partidárias. É para se estudar matemática, álgebra, português, redação, línguas, artes, geografia, história, sociologia, filosofia, ciências (biologia, física, química) e o que mais for pedagogicamente recomendado. Não estou aqui a definir currículos. E mais: ter laboratórios, computadores e experimentos mostrando as influências das novas tecnologias.

Alguém ainda dirá que essas matérias já são lecionadas. Mas se são lecionadas porque nossos estudantes não são mais qualificados e competitivos? É porque o modelo de aprendizado e de cobrança está falido. Uma escola pública de qualidade tem outro formato.

Parece utopia, não é? Pois o modelo que temos hoje nem chega perto. O modelo que temos nivela para baixo, deixa passar o que não sabe para não ficar desestimulado. E, às vezes, o que não lê ou escreve. Isso não é educar. É manter seres bárbaros, dependentes e reféns de seus recursos. Penso a quem interessa essa massa de pessoas incultas? Pelo menos, a ninguém que está no mercado de trabalho, que tem que quase reeducar um empregado. Veja como as empresas reclamam. Mas, essa é outra das consequências desse desastre educacional.

Para se mover na direção certa, completar ou andar conjuntamente a um programa de implantação de uma nova política pública de educação, seria bom saber o que os alunos querem. O que esperam de sua vida profissional? Por que esse distanciamento entre a escola e o aluno? Será que a vida pós-moderna, pós-guerra fria, que vivemos sob a ameaça de terroristas – pelo menos, lá fora –, está mais fácil do que antes? É melhor viver na casa dos pais até os quarenta anos e depois tentar algum bico no mercado de trabalho? Essa é a chamada vida de canguru que está sendo mais aceita. Afinal, para que sair de casa? Pode-se ter todo o conforto que se necessita.

Um bom começo seria avaliar esses quadros, opinião e limites: o que os jovens querem se impor e que os pais ou responsáveis pretendem?

Crédito foto: cntt.org.br

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Falar com Noel

19 de dezembro de 2014

Trono_Noel

A fila para falar com o Papai Noel foi surpreendente. Havia muitas crianças, o que era esperado, e adultos sozinhos que esperavam para ouvir algumas palavras do bom velhinho. Pensei que fosse um engano, uma miragem ou vista afetada por esse distanciamento que me impus das grandes cidades. Mas não. Era a mais pura verdade. Penso que são pessoas precisando de um pouco de ilusão, de imaginação ou encantamento para amenizar o que esse excesso de realidade pós-moderna tem causado.

Na conversa descontraída com as crianças o diálogo era de comportamento e merecimento. Dizia o velhinho: – você foi um bom menino nesse ano? E a criança, com aquela sensação distorcida entre a euforia e o medo daquele ser vestido de vermelho, sem uma percepção aguçada da autocrítica, não hesitava contra e respondia: – Sim! E Noel, retrucava, quase que um mantra: O que você quer ganhar nesse natal? O diálogo, aí se estabelecia de maneira aberta e franca: – Um carrinho. – E, qual o tamanho do carrinho? – Assimm… Gesticulando com as mãos, abrindo os braços, avisando aos responsáveis que não será qualquer carrinho que irá satisfazer seu autodiagnosticado bom comportamento.

Isso é o mais comum. Ouvir que o trenzinho tem que ser da marca tal, que a boneca tem que ser do meu tamanho, que o joguinho tem que ser o super mega jogo. – E se não piscar? – Então, não é o que eu quero. A máquina consumista de pedir está cada vez mais bem estruturada.

E os adultos, o que estavam fazendo ali? O que pediam? Não pediam por um presente fisicamente maior. Mas, se transportavam no túnel do tempo para se sentirem mais seguros. Entre uma palavra de conforto e identidade, queriam ouvir o quase vidente Papai Noel repetir: que tudo pode ser diferente, que há esperança de dias melhores.

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Minta para mim

12 de dezembro de 2014

A mentira convcive lado a lado com a verdade. Assim como amor e ódio. Aliados ironicamente na retórica pós-moderna. Descobrimos aquelas pequenas mentiras, as mentirinhas sem dano aparente, ou as grandes mentiras quase todo dia. E causam alguma comoção ou desprezo. Vem como revelações bombásticas ou alegóricas, possíveis pela liberdade de imprensa ou meios fofoqueiros. Li que há pessoas que não foram feitas para dizer a verdade. É quando a mentira é mais vantajosa.

Não sei se gosto quando a ciência ajuda a explicar atitudes comportamentais como sendo um desvio permanente. Foi o que disse o neurocientista Ming Hsu, que descobriu em suas pesquisas, na Universidade da Califórnia em Berkeley. Argumenta com a analise que precisamos nos esforçar para permanecer honestos quando há chances de nos beneficiarmos à custa dos outros.

O que estava em questão era o envio de uma informação mentirosa para o ganho pessoal. E isso se dá numa relação causal entre uma região cerebral, de quem tem danos no córtex pré-frontal dorsolateral (região associada ao controle dos impulsos) e o comportamento honesto, argumenta o cientista Hsu. Acrescenta que “os pacientes com lesão nessa região do cérebro estavam mais dispostos a enganar do que o restante para proveito próprio”.

Se considerarmos que uma parcela da população pode ter essa distorção impregnada no cérebro, isso pode ser uma explicação para a falha de caráter nesse grupo. Seria uma avaria que implica na mentira como uma atividade normal da característica de personalidade. Honestidade, então, seria para mortais não providos dessa lesão.

Crédito foto: hyperscience.com
 

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Botecolândia

6 de dezembro de 2014

terra_quadrada

Há momentos em que gostamos de jogar conversa fora. De não querer ser analítico, ponderado ou acadêmico. Só queremos conversar com amigos sobre as novidades. Sem qualquer preocupação. E, quando ficamos sem inspiração, vamos buscar um tema nas notícias ou redes sociais. Um bom e estimulante começo para motivar um reencontro entre amigos.

Ficamos monitorando as notícias, tentando ler algo que possa render uma polêmica ou um bom debate sem nexo. Só que o caldo de coisas inclassificáveis é indescritível. Lemos matérias que nos deixam um tanto atordoados com suas iniquidades, maldades, perversidades, tolices, asneiras, equívocos ou futilidades. Como é entediante ter que separar o que interessa até para um papo sem fronteiras.

Será que está difícil se ter e manter um bom papo de boteco? Será que há teorias conspiratórias contra a botecolândia? Não. Nada disso. Pelo contrário, estão em expansão. O boteco ainda é o melhor lugar para se falar mal de alguém. Temos muito para desopilar numa mesa de bar. E, algumas pessoas, bem conectadas, sabem de onde buscar notícias. O que é temeroso é que o patrulhamento ideológico, o politicamente correto, cria uma aura de censura subliminar. Pode-se ter o que falar, mas o que falar sem ser mal interpretado? Melhor é ficar com o inusitado. Quer entender?

Vamos deixar de lado os temas políticos, que vão gerar inimizades. Quem sabe falar de moda ou das nádegas e pernas da modelo que está internada com problemas de saúde por injetar substâncias nocivas em excesso? Não sei se seria agradável entre uma cerveja e outra.

Se é para ser franco, gostei mais daquela de um grande empresário paulista que comprou o posto de gasolina vizinho à sua casa. Irá fechá-lo às oito da noite e evitar barulho. Poderoso. Lembrou-me Frank Sinatra que foi barrado na porta de uma boate. Não deu outra, comprou a casa noturna e despediu o porteiro. Coisas que ocorrem nos botecos-baladas. Isso dá muita conversa.

No bar-boteco ficar lendo, não é o mais recomendado. O local não se mostra tão preparado para o senso crítico. Está mais para senso comum. Esqueça as notícias. Essas coisas não levam a lugar algum. Não repita o que falou ontem, apesar das manchetes serem reviradas a cada dia. Não entre nas mazelas humanas. Dará um clima de baixo astral. Ruim mesmo é estar no boteco, com essas conversas, e, ainda, constatar que o sanduíche pedido diminuiu de tamanho. Motivo para mudar o foco do papo: será que a inflação está de volta? Se é para o papo correr solto, nada como falar de coisas que ocorrem pelo mundo.

Considerando essa viagem, o que mais impressiona é que depois de dois anos e meio, a radiação de Fukushima já é detectada na Califórnia e no Chile. Sim, na América do Sul. Já chegou por aqui. Esse é o caminho natural dos ventos, apesar de que nos tempos de Descartes se tinham dúvidas de que a Terra era redonda, mas não nos de Galileo Galilei. Penso que exagerei no papo.

Crédito foto: catequista.com.br
 

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Rei de CopasEstá em destaque nos noticiários sobre um provável acidente aéreo em São Paulo na próxima semana, propagando conteúdo alarmista. Está causando uma sensação de incomodo em muitas pessoas e gerando um clima de terrorismo psíquico. Penso que não deveria ter todo esse espaço na mídia. Em 2005 escrevi um livro sobre premonição e profecias, portanto sei do que escrevo.

Em 26 de julho de 2005 estive com outras quatro pessoas no escritório de um advogado que presenciaram o texto feito de próprio punho por esse vidente. Para tentar provar se suas ditas habilidades procediam ou não, fui eu quem tirou as cópias e as autentiquei em 2 de agosto de 2005, que fala desse acidente aéreo. O que tenho a alertar é: preste atenção sobre o que são e como são feitas as previsões premonitórias.

Quanto ao meu livro, tirei-o de catálogo. Triturei mais de três mil exemplares por não concordar com o que havia escrito. Entretanto, esse tema ainda me causa estímulos para retomar e reescrever. Ainda irei retratar detalhes do que venho observando e recolhendo de material nesses anos.

Para completar, vou citar alguns conceitos e definições para não falar ou compreender errado. O que é, o que é? Premonição: advertência antecipada do que vai acontecer. Se alguém tem pressentimento de que vai ocorrer, não dá para mudar. Vidência: é a qualidade de um vidente, que tem a faculdade de visão sobrenatural de cenas futuras ou de cenas que estão ocorrendo em lugares onde ele não esteja presente. Logo, haverá aquela cena em um momento futuro.

Não existe essa conversa mole de que o vidente viu, falou, mas que você pode modificar. Segundo a crença, essa visão é de algo que está determinado para acontecer. Se o evento pode ser evitado, não é vidência ou premonição. É chute, ficção ou uma informação destituída de lógica. Cada coisa em seu lugar. Não se pode misturar capacidade pré-cognitiva com livre arbítrio. São duas atitudes que não caminham juntas, são opostas. E, por falar em precognição, define-se como: conhecer antes; ter conhecimento ou percepção prévia. O que dá para se somar aos significados desse mesmo rol de teorias da percepção sensorial.

Esses conceitos são uma capacidade natural da espécie humana. Mas, não podem ser tratados de maneira banal, como são tratados por aí. Para quem se dedica ao acompanhamento desses fenômenos, quem registra tais revelações, sabe como descobrir o que está no campo da falsidade. Quando se fazem experimentos, que podem ser verificados, se esse alguém é dotado dessa percepção extra-sensorial, verifica-se e comprova-se no teste de paranormalidade. E, anote, não vale aparecer com o relato do fato depois do ocorrido. Isso é enganação.

Assim quem for capaz de dizer o que irá ocorrer de forma espontânea, natural e se verificar o fato é um vidente de verdade. Não existem videntes atuando em tempo integral. Não vou me aprofundar nisso agora, nem quanto ao nível de acertos. Mas, fique sabendo que na premonição não há desvio de rota. Ela, simplesmente, ocorrerá.

Se alguém com essa capacidade lhe disser que uma pessoa vai morrer ao cruzar uma fronteira em determinada data: isso vai ocorrer. É assim que as pesquisas dessa área dizem clara e taxativamente. Senão é bobagem. É charlatanismo. O que vem a ser: uma prática pseudocientífica, subcultura impostora, proclamada por alguém que quer algum tipo de vantagem.

Se as pessoas tivessem memória dos acontecimentos, veriam que há muitos desses casos que não preenchem as mínimas condições exigidas de experimentação, para se comprovar sua veracidade.

Esse assunto é tão distorcido, que se tornou tema para um programa de televisão. Um desses ‘realities’ fora de propósito. É um show que busca encontrar, através de provas de adivinhação, o maior vidente do país. Uma coisa é a capacidade de antever um fato e outra é estar dentro dos padrões estatísticos da probabilidade de acertos e erros. Também, não vou me aprofundar nessa linha. Só sei que a mídia populista gosta da audiência para garantir sua sobrevivência aos domingos. Nada legal.

Portanto, daqui para frente: compare ANTES e confirme DEPOIS do evento. Será melhor se tiver registros ou elementos que comprovem com datas e testemunhas. Então, fica claro que premonição, vidência ou profecia precede o fato. Que não dá pra mudar, que vai ocorrer o fato. Senão é outra coisa: é boato, rumor, fofoca, balela, zunzum. É ato de quem quer se aproveitar da desinformação das pessoas por não acompanharem esses assuntos áridos.

No dia 26 de novembro confirmarei mais uma prova de evidência negativa. Para o bem da cidade de São Paulo e de todos envolvidos!

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A arte de negar

13 de novembro de 2014

ser-uma-negacao-shutterstock

Eu nego. Não tenho a ver com isso. Essa é uma frase que saí fácil da boca de muita gente. E, no Direito, até que se prove o contrário, mesmo provando, ainda assim tem gente que irá negar. A negação é prerrogativa da defesa. A chamada negação geral. Negue tudo, depois vamos argumentar.

As provas podem ser contundentes, podem discorrer sobre os fatos, contar detalhes, mas o criminoso nega a participação. O ladrão diz que não entrou, o larápio diz que não ele. Está na moda dizer que não viu ou não ouviu. Ainda, que não disse o que foi dito ou que não sabia de nada.

Como resultado da perícia, da técnica, as prisões têm alguns desses seres obscuros. Aqueles que, apesar de tudo, se dizem injustiçados. Que continuam afirmando “não joguei a criança do prédio ou não matei meus pais” ou “a arma disparou sem querer” ou “não enterrei o corpo aí”. Alguns crimes conseguem, por clamor popular, despertar mais atenção do que outros. Esse é um fenômeno a ser considerado com cautela. Existe e pressiona as instituições. Se, nesses casos, influencia o andar do processo é outra situação.

Nada a se espantar, há diálogos elucidativos quanto à pratica da negativa geral. Como dizem os nobres colegas defensores: – mesmo que a evidência esteja ali, à sua frente, negue. Não sabemos que provas serão apresentadas. – Mas, e se foi um flagrante? – Não importa, negue.

 Já ouviram essa história do marido dizendo à esposa que era ilusão dela tê-lo visto com a amante, não? – Se a esposa pegou esse camarada na cama? – Simplesmente, negue. Vamos justificar que tudo não passou de um mal entendido. O que foi visto não era bem aquilo.

 Essa é uma boa pratica para tentar se safar de uma acusação. Há casos que dão certo. A negação e a encenação superam as provas no processo. O sujeito está aí, sem cumprir pena, mesmo com tudo que o incrimine. Mas, a encenação faz parte do contexto. Quanto a mim, nego que sei de algo, além disso.

Crédito foto: noticias universia

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Apenas um texto

6 de novembro de 2014

Genial é o texto que lhe dá uma chacoalhada quando você está precisando. É aquele texto, que você pensa: como é que o cara escreveu isso? Como conseguiu encontrar as palavras certas para me dizer isso nessa hora. Você fica extasiado, em clima de euforia, parece que absorve as palavras. Não quer esquecê-las, para poder repeti-las quando for a hora. Quer recortar o texto e guardar em um lugar especial. Ou afixá-lo para ler de vez em quando.

Aquele texto, realmente, lhe tocou fundo. Tão fundo que você irá se lembrar dele todas as vezes que associar a sua emoção daquele momento com o que estava lá escrito. Pode ser como um divisor de águas. Que é aquele momento em que uma decisão mudará toda a nossa vida, que irá fazer toda diferença no futuro.

O texto pode ser nítido e claro, coerente e conciso. Ou pode ser repleto de metáforas e histórias que irão mexer nos seus profundos sentimentos. O texto lhe transmitirá o que precisava para agir ou não agir. Abriu-lhe a mente para algo que não enxergava ou não podia aceitar. A delicadeza das palavras, a sua sutileza, a precisão foram notáveis. Os parágrafos escritos lhe deram a munição que estava faltando para transformar seu interior. Há quem diga que menos, que basta uma frase, um conjunto de palavras sucintas para modificar, motivar, desejar uma nova situação no seu enredo pessoal.

Falo de palavras escritas, não de textos falados, nem cantados. Podem me tocar, quando as ouço, mas o elogio está na forma e no tempo que busco e dedico à leitura. Por isso, vivo deixando minha mente me levar a esse estado de surpresa. Só fico chateado quando penso que nem sempre posso dizer a quem escreveu: – oi, gostei do que escreveu! Ajudou-me e muito! Salvo quando cito em meus trabalhos acadêmicos. Aí faço da citação minha referência, gratidão e homenagem.

Não sei a opinião da maioria dos que escrevem, na verdade nem parei para analisar, mas sei que é gratificante você saber que produziu algum efeito mental em alguém com o seu texto. Que o motivou, gerou uma dúvida, corrigiu um equívoco, socorreu de um sufoco de ansiedade, destravou alguma repressão, acrescentou ou subtraiu argumentos.

Penso que todo texto é genial. Muitos estão lá, esperando a serem lidos. Estão lá, guardados entre páginas. Podem ter sido divulgados, podem estar isolados, entre tantos outros. Aguardando alguém que venha lê-los. Se alguém ler e se tocar, ele terá sido válido ou não. O momento é mais um determinante. Um escritor não sabe quando irá ocorrer e nem quanto irá valer. A única certeza que tem é que acabou de escrever apenas mais um texto.

Crédito foto: blogaragem2011

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O que me importa

23 de outubro de 2014

Quando se tem foco, se tem a vida no presente. Isso importa? Para alguns sim, outros não. Para uns, nem conseguem explicar o sentido dessa frase. Para que isso me serve? A quem quer que seja que pense assim, isso não importa.

Uma discussão sobre um jogo de futebol entre dois times rivais ou sobre partidos políticos, a escolha de um candidato, as regras constitucionais, a privatização de ativos do Estado, se a orientação é para um Estado forte ou fraco, se a carga tributária deveria ser modificada. Isso lhe importa? As convicções temporárias ou perenes nos movem. Esse é o ponto de reflexão e/ou mutação: aquilo que nos motiva ou não, para deixar como está ou reverter ao que nos importa.

Dizem que as paixões são efêmeras, são doenças de uma alma sofrida que não tem paz com o resultado de suas decisões. Podem ser até violentas, e há quem diga que estão em constante ebulição, preparadas para se manifestar quando menos se espera. A paixão por alguém, por um amor proibido, por um time, por um filho, por um partido, por um objeto raro, por uma pintura, por uma ideia, por algo imaginário. Vão do simples ao complicado. Explicar uma paixão é tentar revelar o inconsciente. Isso importa? Desde que não sofra nem faça sofrer.

É explicável quando esse entusiasmo se acalma por ter conseguido o que queria ou se aquieta com os resultados que chegaram por perto. Aí se consegue saber a verdadeira razão do que importa. Há luz e informação no que foi dito, pensado, falado ou como e porque se agiu daquela maneira. Mas, isso é constante, há um ciclo que se renova se não for satisfeito. Isso importa?

Ah! Essas emoções passageiras! As boas parecem que nem existiram, mesmo tendo sido ótimas. E as emoções ruins, se não as tratarmos, elas ficam dentro de nós. Do que pensamos, falamos e agimos, temos que saber que enquanto estivermos interagindo iremos agradar e, também, magoar, machucar, agredir, atacar. Isso importa?

Não deixam de ser umas opiniões, parcas ou excessivas convicções, que mudam. Quem era azul virou vermelho, quem era vermelho virou azul. Isso importa? Ao acordar no dia seguinte, o que sobrou?

Crédito foto: asomadetodosafetos.blogspot

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Elemento Surpresa

16 de outubro de 2014

O que será que consegue tirasurpresar alguém do sério, irritando-o, enraivecendo-o, ou, provocando euforia, deixando-o em estado de pura alegria? Um fato que venha de surpresa, que não estejamos esperando. Quer seja positivo ou negativo.

São essas histórias de tirar o fôlego, como o ingresso em um competitivo exame de seleção ou a descoberta de uma traição. Olhar seu nome na lista dos aprovados ou um flagrante adultério. A virada de um jogo com direito a goleada. Para que time você torceu? A notícia da perda de um emprego, uma gravidez indesejada ou a tão tentada, programada, esperada e, enfim, ocorrida. Um quase acidente automobilístico, salvo por aqueles milésimos de segundos, quando houve falta de atenção. Ou, uma virada no dia de votação, contrariando toda uma pesquisa eleitoral.

Posso discorrer algumas cenas que me lembro em que o elemento pasmo se compôs e manifestou-se em sua totalidade. Creio que você terá as suas próprias lembranças. Não vou chateá-lo com situações que podem ter sido desagradáveis. Vamos ao lado das mais agradáveis. Será que conseguimos recordar? Essa é a questão: de qual nos lembramos? Das boas ou das ruins. O que lhe deixou marcado, vão dizer alguns colegas analistas? Aquela que ainda não está bem resolvida? A que deixa marcas na memória? Aí a situação muda de figura.

O elemento surpresa passa a ter um componente vivo dentro de cada um. Viverá por dias, meses ou anos, dependendo da sua força. Irá resistir a sessões de terapia e, em alguns casos, irá para o túmulo com o sujeito. A expressão “o trauma define o paciente” se confunde com a vida cotidiana. Uau! Que perseguição interior, que causa mal resolvida. Por essa razão analítica que quando o impacto de uma emoção forte, da surpresa, é inoculado em algum lugar em que já reside alguma decepção ou deformação fica mais difícil limpar a área mental atingida. Em outras palavras, curar o trauma daquela frustração pode levar tempo. Isso vale para qualquer atitude da vida em que ‘empurramos decisões para baixo do tapete mental’ com angústias e discórdias.

E olhando o momento atual com esses ódios aparentes, esse racismo político, essas carências de um diálogo inteligente, penso na quantidade de traumas que irão se perpetuar. Ao acabar essa competição as pessoas voltarão a conviver com as mesmas pessoas que aí estão.

Que a surpresa seja apenas acidental, que possa haver uma boa dose de bom senso e compreender que é bom se irritar só de forma passageira.

Crédito foto: brazucanomundo 

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Fragmentos de Ideias

9 de outubro de 2014

folhas_ao_ventoO que esperar das opiniões que são jogadas nas redes sociais? Já que são opiniões fragmentadas. Não vou comentar o que é falso, já fiz isso em outra postagem.

As ideias são trituradas, amassadas, aparteadas, pulverizadas, por vezes, sem qualquer nexo. Podem ser isentas de verdade, de fundamento ou de lógica. Temos que ser bastante observadores para entender, o que alguns querem dizer com suas mensagens, pois muitas vêm truncadas. É preciso ser daquele grupo, daquela turma ou tribo, para entender o que estão querendo comunicar.

Entendi, quando a rede mundial de computadores se instalava, que esse salto de qualidade na informação seria uma vantagem às pesquisas e ao conhecimento. Entendo, também, que passados alguns anos, há o fenômeno da pulverização de ideias e da pluralidade no exercício da democracia de opiniões. Haja paciência virtual para compreender os clubinhos que se formam com as raivosas facções ideológicas.

De um lado, os que acham certo uma opinião, uma coisa ou atitude e, do outro, os que acham que tudo está errado. A turma do sim e outra do não. Bem, como numa luta no ringue. No canto esquerdo, o grupo daqueles que se identifica com você, que será seguido, será considerado amigo e, no canto direito, os que são do contra. Curtir ou não curtir? Eis a questão existencial do século!

Pensando mais, não é somente dessa maneira simplista. Já como está fragmentada a informação na internet, diria que não existe apenas uma dupla polarização. Mas, existem múltiplas construções de pensamentos dispersos, soltos, geniosos ou irascíveis.

Temo, com ressalvas, pelo uso sem critérios, a integridade e sucesso de quem busca referência, em que dados deverão ser cada vez mais seletivos ou apurados. Não gosto desse dito popular, mas me serve: haverá que se procurar como agulha no palheiro. Não há uma única solução, nem poderia pela própria natureza da internet, das redes, na produção da informação, que é individual, exponencial e espontânea. São como palavras ao vento. Mas, para quem busca coerência e bom senso, deve-se levar em conta a fonte, a cronologia, o contexto, o universo do tema que se pesquisa e haja tempo e tolerância para garimpar uma ideia coesa.

Crédito foto: labirintosdaalma

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